{"id":4272,"date":"2025-09-26T17:50:03","date_gmt":"2025-09-26T20:50:03","guid":{"rendered":"https:\/\/colegadeclasse.com.br\/blog\/?p=4272"},"modified":"2025-09-26T17:50:05","modified_gmt":"2025-09-26T20:50:05","slug":"o-papel-da-agu-e-do-pgr-no-controle-de-constitucionalidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/colegadeclasse.com.br\/blog\/2025\/09\/26\/o-papel-da-agu-e-do-pgr-no-controle-de-constitucionalidade\/","title":{"rendered":"O Papel da AGU e do PGR no Controle de Constitucionalidade"},"content":{"rendered":"<div style=\"display:flex; gap:10px;justify-content:flex-end\" class=\"wps-pgfw-pdf-generate-icon__wrapper-frontend\">\n\t\t<a  href=\"https:\/\/colegadeclasse.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4272?action=genpdf&amp;id=4272\" class=\"pgfw-single-pdf-download-button\" ><img src=\"https:\/\/colegadeclasse.com.br\/blog\/wp-content\/plugins\/pdf-generator-for-wp\/admin\/src\/images\/PDF_Tray.svg\" title=\"Gerar PDF  \" style=\"width:auto; height:45px;\"><\/a>\n\t\t<\/div>\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<p class=\"\">O sistema brasileiro de controle de constitucionalidade, caracterizado pela coexist\u00eancia dos modelos difuso e concentrado, atribui pap\u00e9is espec\u00edficos e fundamentais ao Advogado-Geral da Uni\u00e3o (AGU) e ao Procurador-Geral da Rep\u00fablica (PGR). Embora ambos atuem perante o Supremo Tribunal Federal (STF) na defesa da ordem jur\u00eddico-constitucional, suas fun\u00e7\u00f5es, fundamentos normativos e formas de participa\u00e7\u00e3o apresentam caracter\u00edsticas distintas que merecem an\u00e1lise aprofundada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">A Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 estabeleceu um sistema de &#8220;freios e contrapesos&#8221; no qual diferentes institui\u00e7\u00f5es contribuem para a preserva\u00e7\u00e3o da supremacia constitucional. Nesse contexto, a AGU e o PGR desempenham fun\u00e7\u00f5es complementares, mas com naturezas jur\u00eddicas e objetivos institucionais diversos, conforme ser\u00e1 demonstrado ao longo deste artigo.<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A Advocacia-Geral da Uni\u00e3o no Controle de Constitucionalidade<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"\">A atua\u00e7\u00e3o da Advocacia-Geral da Uni\u00e3o no controle de constitucionalidade encontra seu principal fundamento no art. 103, \u00a7 3\u00ba, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, que estabelece:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"cit-art\">&#8220;Quando o Supremo Tribunal Federal apreciar a inconstitucionalidade, em tese, de norma legal ou ato normativo, citar\u00e1, previamente, o Advogado-Geral da Uni\u00e3o, que defender\u00e1 o ato ou texto impugnado.&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"\">Este dispositivo constitucional foi regulamentado pela Lei n\u00ba 9.868\/1999 (Lei das ADI e ADC), cujo art. 8\u00ba determina que &#8220;decorrido o prazo das informa\u00e7\u00f5es, ser\u00e3o ouvidos, sucessivamente, o Advogado-Geral da Uni\u00e3o e o Procurador-Geral da Rep\u00fablica, que dever\u00e3o manifestar-se, cada qual, no prazo de quinze dias.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Complementarmente, a Lei Complementar n\u00ba 73\/1993, que organiza a Advocacia-Geral da Uni\u00e3o, estabelece em seu art. 4\u00ba, inciso I, que compete \u00e0 AGU &#8220;representar judicial e extrajudicialmente a Uni\u00e3o&#8221;, e no art. 2\u00ba-B que &#8220;a Advocacia-Geral da Uni\u00e3o, diretamente ou por meio de \u00f3rg\u00e3o vinculado, dever\u00e1 ser previamente ouvida em todos os processos de compet\u00eancia do Supremo Tribunal Federal e dos tribunais superiores nos quais seja discutida a validade de atos dos Poderes P\u00fablicos federais.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O Papel Institucional da AGU: Defensor Legis<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"\">A doutrina constitucional brasileira, liderada por autores como <strong>Gilmar Ferreira Mendes<\/strong> e <strong>Alexandre de Moraes<\/strong>, reconhece que a AGU atua no controle concentrado de constitucionalidade como <em>defensor legis<\/em>, ou seja, como defensora da presun\u00e7\u00e3o de constitucionalidade dos atos normativos impugnados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>Alexandre de Moraes<\/strong> ensina que &#8220;a finalidade do dispositivo \u00e9 garantir que a lei ou ato normativo questionado seja defendido, assegurando-se o contradit\u00f3rio e a ampla defesa, mesmo quando o pr\u00f3prio Poder P\u00fablico que editou a norma n\u00e3o demonstre interesse em sua manuten\u00e7\u00e3o&#8221; (MORAES, 2023, p. 1.284).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>Gilmar Ferreira Mendes<\/strong>, por sua vez, observa que &#8220;a participa\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria do Advogado-Geral da Uni\u00e3o tem por escopo assegurar que o ato impugnado seja efetivamente defendido no processo de controle abstrato&#8221; (MENDES; BRANCO, 2022, p. 1.156).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Caracter\u00edsticas da Atua\u00e7\u00e3o da AGU<\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">1. Participa\u00e7\u00e3o Obrigat\u00f3ria<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"\">A manifesta\u00e7\u00e3o da AGU \u00e9 <strong>obrigat\u00f3ria<\/strong> em todas as a\u00e7\u00f5es de controle concentrado de constitucionalidade (ADI, ADC, ADPF), constituindo pressuposto processual para o julgamento da a\u00e7\u00e3o. O STF n\u00e3o pode decidir sem ouvir previamente a AGU, sob pena de nulidade do processo.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">2. Fun\u00e7\u00e3o de Defesa Presumida<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"\">A AGU deve defender o ato impugnado, mesmo quando n\u00e3o concorde com seu conte\u00fado ou quando outros \u00f3rg\u00e3os da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica manifestem-se pela inconstitucionalidade. Essa fun\u00e7\u00e3o decorre diretamente do texto constitucional e visa assegurar o equil\u00edbrio processual.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">3. Possibilidade de N\u00e3o Defesa em Casos Excepcionais<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"\">O STF, em julgamentos recentes, tem admitido que a AGU possa deixar de defender ato normativo quando houver precedente da Corte j\u00e1 declarando inconstitucionalidade de norma id\u00eantica ou quando a jurisprud\u00eancia estiver pacificada no sentido da inconstitucionalidade. Essa orienta\u00e7\u00e3o foi firmada na ADI 3.916\/DF, rel. Min. Eros Grau.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Atua\u00e7\u00e3o da AGU no Controle Difuso<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"\">No controle difuso de constitucionalidade, a AGU atua quando a Uni\u00e3o for parte no processo ou quando tiver interesse jur\u00eddico na causa. Nessas situa\u00e7\u00f5es, aplica-se o art. 2\u00ba-B da LC 73\/1993, que prev\u00ea a oitiva pr\u00e9via da AGU sempre que for discutida a validade de atos dos Poderes P\u00fablicos federais.<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O Procurador-Geral da Rep\u00fablica no Controle de Constitucionalidade<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Fundamento Constitucional e Natureza Institucional<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"\">A atua\u00e7\u00e3o do Procurador-Geral da Rep\u00fablica no controle de constitucionalidade fundamenta-se nos arts. 127 a 130 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, que disciplinam o Minist\u00e9rio P\u00fablico, e no art. 103, que inclui o PGR entre os legitimados para propor a\u00e7\u00e3o direta de inconstitucionalidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">O art. 127, <em>caput<\/em>, da CF estabelece que &#8220;o Minist\u00e9rio P\u00fablico \u00e9 institui\u00e7\u00e3o permanente, essencial \u00e0 fun\u00e7\u00e3o jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jur\u00eddica, do regime democr\u00e1tico e dos interesses sociais e individuais indispon\u00edveis.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Dupla Fun\u00e7\u00e3o do PGR<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"\">O Procurador-Geral da Rep\u00fablica exerce dupla fun\u00e7\u00e3o no controle de constitucionalidade:<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">1. Como Legitimado Ativo (Parte)<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"\">O art. 103, inciso VI, da CF confere ao PGR legitimidade para propor a\u00e7\u00e3o direta de inconstitucionalidade. Nessa condi\u00e7\u00e3o, atua como <em>dominus litis<\/em>, defendendo a tese da inconstitucionalidade da norma impugnada.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">2. Como Fiscal da Lei (<em>Custos Legis<\/em>)<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"\">Quando n\u00e3o \u00e9 autor da a\u00e7\u00e3o, o PGR atua como fiscal da ordem jur\u00eddica, manifestando-se sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade da norma questionada, sem estar vinculado a defender qualquer das teses em discuss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Base Normativa da Atua\u00e7\u00e3o<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"\">A Lei n\u00ba 9.868\/1999, em seu art. 8\u00ba, estabelece que o PGR deve ser ouvido nas a\u00e7\u00f5es de controle concentrado, manifestando-se no prazo de quinze dias ap\u00f3s a AGU.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">O art. 12, \u00a7 1\u00ba, da mesma lei determina que &#8220;o Procurador-Geral da Rep\u00fablica, nas a\u00e7\u00f5es que n\u00e3o houver formulado, ter\u00e1 vista do processo por quinze dias, podendo manifestar-se pela proced\u00eancia ou improced\u00eancia do pedido.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Caracter\u00edsticas da Atua\u00e7\u00e3o do PGR<\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">1. Atua\u00e7\u00e3o Imparcial como Custos Legis<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>Hugo de Brito Machado<\/strong> ressalta que &#8220;quando atua como custos legis, o Minist\u00e9rio P\u00fablico n\u00e3o defende interesse de qualquer das partes, mas sim o interesse p\u00fablico na correta aplica\u00e7\u00e3o da lei&#8221; (MACHADO, 2021, p. 98).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>Jos\u00e9 Afonso da Silva<\/strong> observa que &#8220;a fun\u00e7\u00e3o de fiscal da lei exercida pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico visa assegurar que a decis\u00e3o judicial seja a mais adequada ao ordenamento jur\u00eddico&#8221; (SILVA, 2023, p. 592).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">2. Liberdade de Convencimento<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"\">Diferentemente da AGU, o PGR goza de total liberdade para manifestar-se pela constitucionalidade ou inconstitucionalidade da norma, baseando-se exclusivamente em crit\u00e9rios t\u00e9cnico-jur\u00eddicos e na defesa da ordem constitucional.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">3. Participa\u00e7\u00e3o Facultativa em Alguns Casos<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"\">Embora a lei preveja a oitiva do PGR, sua manifesta\u00e7\u00e3o pode ser dispensada em determinadas situa\u00e7\u00f5es, especialmente quando a quest\u00e3o constitucional for de menor complexidade ou quando n\u00e3o houver interesse p\u00fablico relevante.<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<h2 class=\"wp-block-heading\">An\u00e1lise Comparativa: AGU versus PGR<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Diferen\u00e7as Fundamentais<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><thead><tr><th>Aspecto<\/th><th>AGU<\/th><th>PGR<\/th><\/tr><\/thead><tbody><tr><td><strong>Base Constitucional<\/strong><\/td><td>Art. 103, \u00a7 3\u00ba (espec\u00edfica)<\/td><td>Arts. 127-130 (geral)<\/td><\/tr><tr><td><strong>Fun\u00e7\u00e3o Principal<\/strong><\/td><td>Defensor legis<\/td><td>Custos legis<\/td><\/tr><tr><td><strong>Obrigatoriedade<\/strong><\/td><td>Sempre obrigat\u00f3ria<\/td><td>Geralmente obrigat\u00f3ria<\/td><\/tr><tr><td><strong>Posicionamento<\/strong><\/td><td>Defende a constitucionalidade<\/td><td>Liberdade de posicionamento<\/td><\/tr><tr><td><strong>Natureza da Atua\u00e7\u00e3o<\/strong><\/td><td>T\u00e9cnico-defensiva<\/td><td>T\u00e9cnico-imparcial<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Semelhan\u00e7as e Complementaridade<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"\">Ambas as institui\u00e7\u00f5es contribuem para o aperfei\u00e7oamento do controle de constitucionalidade brasileiro:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li class=\"\"><strong>Garantia do Contradit\u00f3rio<\/strong>: A participa\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria de ambas assegura que diferentes perspectivas sejam apresentadas ao STF.<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\"><strong>Qualifica\u00e7\u00e3o T\u00e9cnica<\/strong>: Tanto a AGU quanto o PGR disp\u00f5em de corpo t\u00e9cnico especializado em Direito Constitucional.<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\"><strong>Contribui\u00e7\u00e3o para a Jurisprud\u00eancia<\/strong>: As manifesta\u00e7\u00f5es de ambas as institui\u00e7\u00f5es frequentemente influenciam a forma\u00e7\u00e3o da jurisprud\u00eancia constitucional.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Precedentes Relevantes do STF<\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">1. ADI 3.916\/DF (Rel. Min. Eros Grau)<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"\">Neste julgado, o STF reconheceu que a AGU pode deixar de defender ato normativo quando houver precedente da Corte no sentido da inconstitucionalidade, flexibilizando a interpreta\u00e7\u00e3o literal do art. 103, \u00a7 3\u00ba, da CF.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">2. ADI 4.071\/DF (Rel. Min. Menezes Direito)<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"\">O Supremo reafirmou a import\u00e2ncia da manifesta\u00e7\u00e3o do PGR como custos legis, destacando sua contribui\u00e7\u00e3o para o aperfei\u00e7oamento da jurisdi\u00e7\u00e3o constitucional.<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A Atua\u00e7\u00e3o no Controle Difuso<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">AGU no Controle Difuso<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"\">No controle difuso, a AGU atua quando:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li class=\"\">A Uni\u00e3o for parte no processo<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">Houver interesse federal relevante<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">For questionada a validade de ato federal<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"\">A LC 73\/1993 estabelece que a AGU deve ser previamente ouvida sempre que for discutida a validade de atos dos Poderes P\u00fablicos federais, mesmo em processos onde a Uni\u00e3o n\u00e3o seja parte.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">PGR no Controle Difuso<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"\">O PGR atua no controle difuso principalmente atrav\u00e9s dos recursos extraordin\u00e1rios que chegam ao STF, podendo manifestar-se quando a quest\u00e3o constitucional apresentar relevante interesse p\u00fablico.<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Perspectivas Doutrin\u00e1rias<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Vis\u00e3o Garantista<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>Paulo Bonavides<\/strong> destaca que &#8220;a participa\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria da AGU e do PGR no controle de constitucionalidade representa uma conquista do Estado Democr\u00e1tico de Direito, assegurando que todas as perspectivas sejam consideradas na interpreta\u00e7\u00e3o constitucional&#8221; (BONAVIDES, 2022, p. 367).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Vis\u00e3o Processualista<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>Fredie Didier Jr.<\/strong> observa que &#8220;a atua\u00e7\u00e3o da AGU e do PGR no controle abstrato assegura a efetividade do contradit\u00f3rio e da ampla defesa, princ\u00edpios fundamentais do devido processo legal&#8221; (DIDIER JR., 2023, p. 445).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Cr\u00edticas Doutrin\u00e1rias<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"\">Parte da doutrina critica a obrigatoriedade de defesa pela AGU, argumentando que pode levar \u00e0 defesa de atos manifestamente inconstitucionais. <strong>Lu\u00eds Roberto Barroso<\/strong> sugere que &#8220;a evolu\u00e7\u00e3o jurisprudencial que permite \u00e0 AGU n\u00e3o defender atos com inconstitucionalidade manifesta representa um avan\u00e7o na racionaliza\u00e7\u00e3o do sistema&#8221; (BARROSO, 2023, p. 298).<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<p class=\"\">A atua\u00e7\u00e3o da Advocacia-Geral da Uni\u00e3o e do Procurador-Geral da Rep\u00fablica no controle de constitucionalidade brasileiro representa um modelo institucional amadurecido e eficiente para a prote\u00e7\u00e3o da supremacia constitucional. Embora desempenhem fun\u00e7\u00f5es distintas \u2013 a AGU como defensora da presun\u00e7\u00e3o de constitucionalidade e o PGR como fiscal imparcial da ordem jur\u00eddica \u2013, ambas as institui\u00e7\u00f5es contribuem decisivamente para a qualidade da jurisdi\u00e7\u00e3o constitucional exercida pelo STF.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">A evolu\u00e7\u00e3o jurisprudencial tem aperfei\u00e7oado o sistema, flexibilizando algumas rigidez iniciais (como a obrigatoriedade absoluta de defesa pela AGU) sem comprometer a ess\u00eancia do modelo. O equil\u00edbrio entre as fun\u00e7\u00f5es da AGU e do PGR assegura que o controle de constitucionalidade brasileiro seja exercido com o m\u00e1ximo de legitimidade democr\u00e1tica e efici\u00eancia t\u00e9cnica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Para o futuro, os principais desafios consistem em: (i) aprimorar a estrutura institucional para fazer frente ao crescente volume de demandas; (ii) desenvolver mecanismos de maior coordena\u00e7\u00e3o entre as institui\u00e7\u00f5es; e (iii) manter a qualidade t\u00e9cnica das manifesta\u00e7\u00f5es em face da crescente complexidade das quest\u00f5es constitucionais contempor\u00e2neas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">O modelo brasileiro de participa\u00e7\u00e3o da AGU e do PGR no controle de constitucionalidade representa, assim, uma contribui\u00e7\u00e3o original ao constitucionalismo contempor\u00e2neo, conciliando efici\u00eancia processual com legitimidade democr\u00e1tica na defesa da supremacia constitucional.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Bibliografia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>BARROSO, Lu\u00eds Roberto<\/strong>. <em>Curso de Direito Constitucional Contempor\u00e2neo<\/em>. 10\u00aa ed. S\u00e3o Paulo: Saraiva, 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>BONAVIDES, Paulo<\/strong>. <em>Curso de Direito Constitucional<\/em>. 35\u00aa ed. S\u00e3o Paulo: Malheiros, 2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>DIDIER JR., Fredie<\/strong>. <em>Curso de Direito Processual Civil<\/em>. 25\u00aa ed. Salvador: JusPodivm, 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>MACHADO, Hugo de Brito<\/strong>. <em>Curso de Direito Constitucional<\/em>. 8\u00aa ed. S\u00e3o Paulo: Atlas, 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>MENDES, Gilmar Ferreira; BRANCO, Paulo Gustavo Gonet<\/strong>. <em>Curso de Direito Constitucional<\/em>. 17\u00aa ed. S\u00e3o Paulo: Saraiva, 2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>MORAES, Alexandre de<\/strong>. <em>Direito Constitucional<\/em>. 39\u00aa ed. S\u00e3o Paulo: Atlas, 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>SILVA, Jos\u00e9 Afonso da<\/strong>. <em>Curso de Direito Constitucional Positivo<\/em>. 46\u00aa ed. S\u00e3o Paulo: Malheiros, 2023.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Legisla\u00e7\u00e3o Citada<\/h3>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li class=\"\">Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">Lei n\u00ba 9.868\/1999 (Lei das ADI e ADC)<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">Lei Complementar n\u00ba 73\/1993 (Lei Org\u00e2nica da AGU)<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Jurisprud\u00eancia Citada<\/h3>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li class=\"\">STF, ADI 3.916\/DF, Rel. Min. Eros Grau<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">STF, ADI 4.071\/DF, Rel. Min. Menezes Direito<\/li>\n<\/ul>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p class=\"\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O sistema brasileiro de controle de constitucionalidade, caracterizado pela coexist\u00eancia dos modelos difuso e concentrado, atribui pap\u00e9is espec\u00edficos e fundamentais ao Advogado-Geral da Uni\u00e3o (AGU) e ao Procurador-Geral da Rep\u00fablica (PGR). Embora ambos atuem perante o Supremo Tribunal Federal (STF) na defesa da ordem jur\u00eddico-constitucional, suas fun\u00e7\u00f5es, fundamentos normativos e formas de participa\u00e7\u00e3o apresentam caracter\u00edsticas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4273,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"nf_dc_page":"","footnotes":""},"categories":[48,141],"tags":[24,46,357],"class_list":["post-4272","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-direito-constitucional","category-controle-de-constitucionalidade","tag-revisao","tag-estudo-completo","tag-dicas"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/colegadeclasse.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4272","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/colegadeclasse.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/colegadeclasse.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/colegadeclasse.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/colegadeclasse.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4272"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/colegadeclasse.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4272\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4275,"href":"https:\/\/colegadeclasse.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4272\/revisions\/4275"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/colegadeclasse.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4273"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/colegadeclasse.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4272"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/colegadeclasse.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4272"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/colegadeclasse.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4272"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}