{"id":4972,"date":"2025-11-21T18:00:41","date_gmt":"2025-11-21T21:00:41","guid":{"rendered":"https:\/\/colegadeclasse.com.br\/blog\/?p=4972"},"modified":"2025-11-21T18:16:53","modified_gmt":"2025-11-21T21:16:53","slug":"capacidade-processual-e-representacao-das-partes-no-processo-civil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/colegadeclasse.com.br\/blog\/2025\/11\/21\/capacidade-processual-e-representacao-das-partes-no-processo-civil\/","title":{"rendered":"CAPACIDADE PROCESSUAL E REPRESENTA\u00c7\u00c3O DAS PARTES NO PROCESSO CIVIL"},"content":{"rendered":"<div style=\"display:flex; gap:10px;justify-content:flex-end\" class=\"wps-pgfw-pdf-generate-icon__wrapper-frontend\">\n\t\t<a  href=\"https:\/\/colegadeclasse.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4972?action=genpdf&amp;id=4972\" class=\"pgfw-single-pdf-download-button\" ><img src=\"https:\/\/colegadeclasse.com.br\/blog\/wp-content\/plugins\/pdf-generator-for-wp\/admin\/src\/images\/PDF_Tray.svg\" title=\"Gerar PDF  \" style=\"width:auto; height:45px;\"><\/a>\n\t\t<\/div>\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<p class=\"\">A capacidade processual \u00e9 um dos pressupostos processuais de validade da rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica processual. Trata-se de condi\u00e7\u00e3o essencial para que as partes possam estar validamente em ju\u00edzo, seja para propor a\u00e7\u00f5es (capacidade ativa) ou para figurar como r\u00e9u (capacidade passiva). O C\u00f3digo de Processo Civil, em seus artigos 70 a 76, estabelece as regras fundamentais sobre quem pode estar em ju\u00edzo, como deve ser realizada a representa\u00e7\u00e3o dos incapazes e das pessoas jur\u00eddicas, e quais as consequ\u00eancias da aus\u00eancia ou irregularidade dessa capacidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Para compreender plenamente o tema, \u00e9 necess\u00e1rio distinguir tr\u00eas conceitos fundamentais:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>a) Capacidade de ser parte (ou personalidade judici\u00e1ria):<\/strong>&nbsp;\u00c9 a aptid\u00e3o para ser titular de direitos e obriga\u00e7\u00f5es no processo. Toda pessoa f\u00edsica (desde o nascimento com vida) e pessoa jur\u00eddica possui capacidade de ser parte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>b) Capacidade processual (ou legitimatio ad processum):<\/strong>&nbsp;\u00c9 a aptid\u00e3o para praticar pessoalmente os atos processuais, sem necessidade de representa\u00e7\u00e3o ou assist\u00eancia. Equivale, no processo, \u00e0 capacidade civil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>c) Capacidade postulat\u00f3ria:<\/strong>&nbsp;\u00c9 a aptid\u00e3o t\u00e9cnica para praticar atos processuais em nome da parte, sendo privativa dos advogados regularmente inscritos na OAB (art. 103, CPC).<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Capacidade para Estar em Ju\u00edzo (Art. 70)<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"cit-art\">O artigo 70 do CPC estabelece a regra geral:\u00a0&#8220;Toda pessoa que se encontre no exerc\u00edcio de seus direitos tem capacidade para estar em ju\u00edzo.&#8221;\u00a0Este dispositivo consagra a rela\u00e7\u00e3o direta entre a capacidade civil e a capacidade processual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Pelo C\u00f3digo Civil (Lei 10.406\/2002), s\u00e3o&nbsp;<strong>plenamente capazes<\/strong>&nbsp;as pessoas com 18 anos completos ou mais, que n\u00e3o sejam interditadas. Assim, essas pessoas podem atuar diretamente em ju\u00edzo, sem necessidade de assist\u00eancia ou representa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"ptt-yellow\"><strong>Observa\u00e7\u00e3o importante:<\/strong>&nbsp;Com a entrada em vigor do Estatuto da Pessoa com Defici\u00eancia (Lei 13.146\/2015), a regra das incapacidades foi drasticamente alterada. Hoje, apenas os menores de 16 anos s\u00e3o absolutamente incapazes. Os maiores de 16 e menores de 18 anos, os \u00e9brios habituais, os viciados em t\u00f3xicos e aqueles que n\u00e3o puderem exprimir sua vontade s\u00e3o relativamente incapazes, devendo ser&nbsp;<strong>assistidos<\/strong>&nbsp;(e n\u00e3o mais representados em muitos casos).<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Representa\u00e7\u00e3o e Assist\u00eancia do Incapaz (Art. 71)<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"cit-art\">O artigo 71 determina:\u00a0&#8220;O incapaz ser\u00e1 representado ou assistido por seus pais, por tutor ou por curador, na forma da lei.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Aqui reside distin\u00e7\u00e3o essencial para concursos:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li class=\"\"><strong>Representa\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0Utilizada para os\u00a0<strong>absolutamente incapazes<\/strong>\u00a0(menores de 16 anos). O representante atua\u00a0<strong>em nome<\/strong>\u00a0do incapaz, substituindo sua vontade.<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\"><strong>Assist\u00eancia:<\/strong>\u00a0Utilizada para os\u00a0<strong>relativamente incapazes<\/strong>\u00a0(maiores de 16 e menores de 18 anos). O assistente atua\u00a0<strong>ao lado<\/strong>\u00a0do incapaz, complementando sua vontade.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>Ordem de prefer\u00eancia:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li class=\"\"><strong>Pais<\/strong>\u00a0(poder familiar)<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\"><strong>Tutor<\/strong>\u00a0(na aus\u00eancia dos pais ou destitui\u00e7\u00e3o do poder familiar)<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\"><strong>Curador<\/strong>\u00a0(para incapazes maiores ou situa\u00e7\u00f5es especiais)<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"ptt-red\"><strong>Ponto de aten\u00e7\u00e3o:<\/strong>&nbsp;A falta de representa\u00e7\u00e3o ou assist\u00eancia do incapaz gera&nbsp;<strong>irregularidade processual san\u00e1vel<\/strong>, devendo o juiz suspender o processo e determinar a regulariza\u00e7\u00e3o (art. 76).<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Curador Especial (Art. 72)<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"\">O artigo 72 estabelece duas hip\u00f3teses de nomea\u00e7\u00e3o de curador especial pelo juiz:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"cit-art\">I \u2013 Incapaz sem representante legal ou com interesses colidentes<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Quando o incapaz n\u00e3o possui representante legal (\u00f3rf\u00e3o sem tutor nomeado, por exemplo) ou quando os interesses do representante legal colidem com os do incapaz (como em a\u00e7\u00e3o indenizat\u00f3ria movida contra o pr\u00f3prio pai), o juiz deve nomear curador especial&nbsp;<strong>enquanto durar a incapacidade<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"cit-art\">II \u2013 R\u00e9u preso revel e r\u00e9u citado por edital ou com hora certa<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Esta \u00e9 uma garantia constitucional da ampla defesa. Quando o r\u00e9u \u00e9 citado por formas especiais (edital ou hora certa) ou \u00e9 preso e n\u00e3o constitui advogado, presume-se sua vulnerabilidade processual, exigindo-se a nomea\u00e7\u00e3o de curador especial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>Par\u00e1grafo \u00fanico:<\/strong>&nbsp;A curatela especial ser\u00e1 exercida pela&nbsp;<strong>Defensoria P\u00fablica<\/strong>, nos termos da lei. Esta fun\u00e7\u00e3o \u00e9 exercida pelos Defensores P\u00fablicos como atribui\u00e7\u00e3o institucional.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>S\u00famula 196 do STJ<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"sumula\">&#8220;Ao executado que, citado por edital ou por hora certa, permanecer revel, ser\u00e1 nomeado curador especial, com legitimidade para apresenta\u00e7\u00e3o de embargos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Esta s\u00famula \u00e9&nbsp;<strong>essencial para concursos<\/strong>&nbsp;e demonstra que mesmo em processo de execu\u00e7\u00e3o, onde n\u00e3o h\u00e1 &#8220;defesa&#8221; propriamente dita (mas sim embargos), deve ser nomeado curador especial ao executado citado fictamente que n\u00e3o comparece.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"ptt-red\"><strong>Ponto de aten\u00e7\u00e3o:<\/strong>&nbsp;A aus\u00eancia de nomea\u00e7\u00e3o de curador especial quando obrigat\u00f3ria gera&nbsp;<strong>nulidade absoluta<\/strong>&nbsp;dos atos processuais posteriores, podendo ser reconhecida a qualquer tempo.<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Necessidade de Consentimento Conjugal (Arts. 73 e 74)<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"\">Os artigos 73 e 74 tratam da&nbsp;<strong>outorga ux\u00f3ria<\/strong>&nbsp;(consentimento da esposa) ou&nbsp;<strong>outorga marital<\/strong>&nbsp;(consentimento do marido), tamb\u00e9m chamada de&nbsp;<strong>v\u00eania conjugal<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Regra do Artigo 73<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>Para propor a\u00e7\u00e3o sobre direito real imobili\u00e1rio<\/strong>, o c\u00f4njuge necessita do consentimento do outro,&nbsp;<strong>salvo<\/strong>&nbsp;quando casados sob o regime de&nbsp;<strong>separa\u00e7\u00e3o absoluta de bens<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"cit-art wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<p class=\"\">\u00a7 1\u00ba &#8211; Cita\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria de ambos os c\u00f4njuges nas seguintes a\u00e7\u00f5es:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">I \u2013\u00a0A\u00e7\u00e3o sobre\u00a0direito real imobili\u00e1rio\u00a0(salvo separa\u00e7\u00e3o absoluta de bens)<br>II \u2013\u00a0A\u00e7\u00e3o resultante de\u00a0fato que diga respeito a ambos\u00a0ou de\u00a0ato praticado por eles<br>III \u2013\u00a0A\u00e7\u00e3o fundada em\u00a0d\u00edvida contra\u00edda a bem da fam\u00edlia<br>IV \u2013\u00a0A\u00e7\u00e3o sobre\u00a0reconhecimento, constitui\u00e7\u00e3o ou extin\u00e7\u00e3o de \u00f4nus sobre im\u00f3vel\u00a0de um ou ambos os c\u00f4njuges<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>\u00a7 2\u00ba<\/strong>&nbsp;\u2013 Em&nbsp;<strong>a\u00e7\u00f5es possess\u00f3rias<\/strong>, a participa\u00e7\u00e3o do c\u00f4njuge s\u00f3 \u00e9 indispens\u00e1vel em caso de&nbsp;<strong>composse<\/strong>&nbsp;ou&nbsp;<strong>ato praticado por ambos<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>\u00a7 3\u00ba<\/strong>&nbsp;\u2013 As regras aplicam-se \u00e0&nbsp;<strong>uni\u00e3o est\u00e1vel comprovada nos autos<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Suprimento Judicial (Art. 74)<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"\">Quando o consentimento \u00e9 negado&nbsp;<strong>sem justo motivo<\/strong>&nbsp;ou \u00e9&nbsp;<strong>imposs\u00edvel<\/strong>&nbsp;conced\u00ea-lo (por exemplo, c\u00f4njuge em coma, desaparecido), pode ser&nbsp;<strong>suprido judicialmente<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>Par\u00e1grafo \u00fanico:<\/strong>&nbsp;A falta de consentimento, quando necess\u00e1rio e n\u00e3o suprido pelo juiz,&nbsp;<strong>invalida o processo<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"ptt-yellow\"><strong>Observa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica para concursos:<\/strong>&nbsp;A invalidade aqui mencionada \u00e9&nbsp;<strong>relativa<\/strong>, pois s\u00f3 pode ser alegada pelo c\u00f4njuge preterido. Se o c\u00f4njuge n\u00e3o apresentou o consentimento e o outro c\u00f4njuge n\u00e3o se manifestou, o processo segue v\u00e1lido.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>S\u00famula 332 do STJ<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"sumula\">&#8220;A fian\u00e7a prestada sem autoriza\u00e7\u00e3o de um dos c\u00f4njuges implica a inefic\u00e1cia total da garantia.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Embora esta s\u00famula trate de mat\u00e9ria de direito material (validade da fian\u00e7a), ela est\u00e1 intimamente relacionada ao tema da outorga conjugal processual. A s\u00famula estabelece que a falta de autoriza\u00e7\u00e3o do c\u00f4njuge para prestar fian\u00e7a torna&nbsp;<strong>totalmente ineficaz<\/strong>&nbsp;a garantia, n\u00e3o apenas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mea\u00e7\u00e3o do c\u00f4njuge que n\u00e3o consentiu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"ptt-red\"><strong>Ponto de aten\u00e7\u00e3o:<\/strong>&nbsp;O STJ tem mitigado a aplica\u00e7\u00e3o desta s\u00famula em casos de m\u00e1-f\u00e9 do fiador que oculta seu estado civil do credor.<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Representa\u00e7\u00e3o Judicial (Art. 75)<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"\">O artigo 75 estabelece um rol extenso de hip\u00f3teses de representa\u00e7\u00e3o judicial, tanto&nbsp;<strong>ativa<\/strong>&nbsp;(quando prop\u00f5e a\u00e7\u00e3o) quanto&nbsp;<strong>passiva<\/strong>&nbsp;(quando \u00e9 r\u00e9u):<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>I \u2013 Uni\u00e3o:<\/strong>&nbsp;Advocacia-Geral da Uni\u00e3o (AGU)<br><strong>II \u2013 Estado e Distrito Federal:<\/strong>&nbsp;Procuradores<br><strong>III \u2013 Munic\u00edpio:<\/strong>&nbsp;Prefeito, procurador ou Associa\u00e7\u00e3o de Munic\u00edpios (quando autorizada)<br><strong>IV \u2013 Autarquia e funda\u00e7\u00e3o de direito p\u00fablico:<\/strong>&nbsp;Conforme lei do ente federado<br><strong>V \u2013 Massa falida:<\/strong>&nbsp;Administrador judicial<br><strong>VI \u2013 Heran\u00e7a jacente ou vacante:<\/strong>&nbsp;Curador<br><strong>VII \u2013 Esp\u00f3lio:<\/strong>&nbsp;Inventariante<br><strong>VIII \u2013 Pessoa jur\u00eddica:<\/strong>&nbsp;Conforme atos constitutivos ou diretores<br><strong>IX \u2013 Sociedade irregular:<\/strong>&nbsp;Pessoa que administra os bens<br><strong>X \u2013 Pessoa jur\u00eddica estrangeira:<\/strong>&nbsp;Gerente, representante ou administrador da filial brasileira<br><strong>XI \u2013 Condom\u00ednio:<\/strong>&nbsp;Administrador ou s\u00edndico<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Par\u00e1grafos relevantes:<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>\u00a7 1\u00ba<\/strong>&nbsp;\u2013 Quando o inventariante for&nbsp;<strong>dativo<\/strong>&nbsp;(nomeado pelo juiz, n\u00e3o sendo herdeiro), os&nbsp;<strong>sucessores devem ser intimados<\/strong>&nbsp;no processo em que o esp\u00f3lio seja parte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>\u00a7 2\u00ba<\/strong>&nbsp;\u2013 A sociedade ou associa\u00e7\u00e3o irregular&nbsp;<strong>n\u00e3o pode opor<\/strong>&nbsp;sua irregularidade quando \u00e9 demandada. Trata-se de aplica\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio da veda\u00e7\u00e3o do comportamento contradit\u00f3rio (venire contra factum proprium).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>\u00a7 3\u00ba<\/strong>&nbsp;\u2013 O gerente de filial ou ag\u00eancia de pessoa jur\u00eddica estrangeira&nbsp;<strong>presume-se autorizado<\/strong>&nbsp;a receber cita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>\u00a7 4\u00ba<\/strong>&nbsp;\u2013 Estados e DF podem firmar&nbsp;<strong>conv\u00eanio<\/strong>&nbsp;para que seus procuradores pratiquem atos processuais em favor de outro ente federado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>\u00a7 5\u00ba<\/strong>&nbsp;\u2013 Munic\u00edpio s\u00f3 pode ser representado por Associa\u00e7\u00e3o de Munic\u00edpios em quest\u00f5es de&nbsp;<strong>interesse comum<\/strong>, com&nbsp;<strong>autoriza\u00e7\u00e3o expressa<\/strong>&nbsp;do Prefeito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"ptt-red\"><strong>Ponto de aten\u00e7\u00e3o para concursos:<\/strong>&nbsp;\u00c9 comum que quest\u00f5es explorem a representa\u00e7\u00e3o do esp\u00f3lio por inventariante dativo, exigindo a intima\u00e7\u00e3o dos sucessores, ou a presun\u00e7\u00e3o de poderes do gerente de filial estrangeira para receber cita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Sana\u00e7\u00e3o da Incapacidade ou Irregularidade (Art. 76)<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"\">O artigo 76 estabelece o&nbsp;<strong>procedimento<\/strong>&nbsp;quando verificada a incapacidade processual ou irregularidade de representa\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>Regra geral:<\/strong>&nbsp;O juiz&nbsp;<strong>suspende o processo<\/strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>designa prazo razo\u00e1vel<\/strong>&nbsp;para sana\u00e7\u00e3o do v\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>\u00a7 1\u00ba &#8211; Descumprimento na inst\u00e2ncia origin\u00e1ria:<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>I \u2013<\/strong>&nbsp;Se a provid\u00eancia couber ao&nbsp;<strong>autor<\/strong>: processo ser\u00e1&nbsp;<strong>extinto<\/strong>&nbsp;(sem resolu\u00e7\u00e3o de m\u00e9rito &#8211; art. 485, IV, CPC)<br><strong>II \u2013<\/strong>&nbsp;Se a provid\u00eancia couber ao&nbsp;<strong>r\u00e9u<\/strong>: ser\u00e1 considerado&nbsp;<strong>revel<\/strong><br><strong>III \u2013<\/strong>&nbsp;Se couber ao&nbsp;<strong>terceiro<\/strong>: ser\u00e1 considerado&nbsp;<strong>revel<\/strong>&nbsp;ou&nbsp;<strong>exclu\u00eddo<\/strong>, conforme o polo<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>\u00a7 2\u00ba &#8211; Descumprimento em fase recursal perante tribunal:<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>I \u2013<\/strong>&nbsp;Se couber ao&nbsp;<strong>recorrente<\/strong>: o relator&nbsp;<strong>n\u00e3o conhecer\u00e1 do recurso<\/strong><br><strong>II \u2013<\/strong>&nbsp;Se couber ao&nbsp;<strong>recorrido<\/strong>: o relator determinar\u00e1 o&nbsp;<strong>desentranhamento das contrarraz\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"ptt-yellow\"><strong>Observa\u00e7\u00e3o fundamental:<\/strong>&nbsp;A sistem\u00e1tica do CPC\/2015 privilegia o princ\u00edpio da&nbsp;<strong>primazia da resolu\u00e7\u00e3o do m\u00e9rito<\/strong>&nbsp;e da&nbsp;<strong>instrumentalidade das formas<\/strong>. Por isso, sempre se concede oportunidade para sanar o v\u00edcio antes de aplicar san\u00e7\u00f5es processuais.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>S\u00famula 83 do STJ<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"sumula\">&#8220;N\u00e3o se conhece do recurso especial pela diverg\u00eancia, quando a orienta\u00e7\u00e3o do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decis\u00e3o recorrida.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Embora n\u00e3o trate diretamente de capacidade processual, esta s\u00famula \u00e9 relevante para compreender o sistema recursal e a inadmissibilidade de recursos quando o entendimento j\u00e1 est\u00e1 consolidado no tribunal superior.<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Distin\u00e7\u00f5es Essenciais para Concursos<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>1. Curador especial vs. Curador de incapaz<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li class=\"\"><strong>Curador especial (art. 72):<\/strong>\u00a0Nomeado pelo\u00a0<strong>juiz<\/strong>\u00a0para situa\u00e7\u00e3o\u00a0<strong>espec\u00edfica e tempor\u00e1ria<\/strong>\u00a0(cita\u00e7\u00e3o ficta, conflito de interesses). Fun\u00e7\u00e3o exercida pela Defensoria P\u00fablica.<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\"><strong>Curador de incapaz (art. 71):<\/strong>\u00a0Nomeado em\u00a0<strong>processo de curatela<\/strong>\u00a0para representar\u00a0<strong>permanentemente<\/strong>\u00a0o curatelado. Geralmente \u00e9 familiar.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>2. Representa\u00e7\u00e3o vs. Assist\u00eancia<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li class=\"\"><strong>Representa\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0Para\u00a0<strong>absolutamente incapazes<\/strong>\u00a0\u2013 o representante atua\u00a0<strong>em lugar de<\/strong>\u00a0(substitui a vontade)<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\"><strong>Assist\u00eancia:<\/strong>\u00a0Para\u00a0<strong>relativamente incapazes<\/strong>\u00a0\u2013 o assistente atua\u00a0<strong>junto com<\/strong>\u00a0(complementa a vontade)<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>3. Consentimento conjugal para propor a\u00e7\u00e3o vs. Cita\u00e7\u00e3o de ambos os c\u00f4njuges<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li class=\"\"><strong>Consentimento (caput do art. 73):<\/strong>\u00a0Necess\u00e1rio para o c\u00f4njuge\u00a0<strong>autor<\/strong>\u00a0propor a\u00e7\u00e3o sobre direito real imobili\u00e1rio<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\"><strong>Cita\u00e7\u00e3o (\u00a71\u00ba do art. 73):<\/strong>\u00a0Ambos devem ser citados como\u00a0<strong>r\u00e9us<\/strong>\u00a0nas hip\u00f3teses do dispositivo<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>4. Incapacidade processual vs. Ilegitimidade<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li class=\"\"><strong>Incapacidade processual:<\/strong>\u00a0Falta de aptid\u00e3o para praticar atos processuais (v\u00edcio formal, san\u00e1vel)<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\"><strong>Ilegitimidade:<\/strong>\u00a0Falta de pertin\u00eancia subjetiva com a lide (v\u00edcio de m\u00e9rito, impossibilita julgamento favor\u00e1vel)<\/li>\n<\/ul>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<p class=\"\">Para obter \u00eaxito em quest\u00f5es sobre capacidade processual em concursos p\u00fablicos, o candidato deve:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li class=\"\"><strong>Memorizar o rol do art. 75<\/strong>\u00a0sobre representa\u00e7\u00e3o judicial de entes espec\u00edficos<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\"><strong>Compreender as hip\u00f3teses<\/strong>\u00a0de nomea\u00e7\u00e3o de curador especial (art. 72)<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\"><strong>Distinguir claramente<\/strong>\u00a0representa\u00e7\u00e3o de assist\u00eancia<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\"><strong>Conhecer as exce\u00e7\u00f5es<\/strong>\u00a0\u00e0 necessidade de consentimento conjugal<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\"><strong>Entender o procedimento<\/strong>\u00a0de sana\u00e7\u00e3o de v\u00edcios (art. 76)<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\"><strong>Memorizar as s\u00famulas<\/strong>\u00a0relacionadas ao tema (especialmente S\u00famula 196 do STJ)<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\"><strong>Associar a capacidade processual<\/strong>\u00a0com a capacidade civil do C\u00f3digo Civil<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"ptt-red\"><strong>Ponto final de aten\u00e7\u00e3o:<\/strong>&nbsp;Muitas quest\u00f5es de concurso combinam o tema da capacidade processual com outros institutos, como legitimidade, litiscons\u00f3rcio necess\u00e1rio e interven\u00e7\u00e3o de terceiros. Portanto, \u00e9 fundamental estudar o tema de forma integrada com outros cap\u00edtulos do direito processual civil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">A capacidade processual \u00e9 tema fundamental que perpassa todo o processo civil, desde a peti\u00e7\u00e3o inicial at\u00e9 a fase recursal. Seu dom\u00ednio completo \u00e9 indispens\u00e1vel n\u00e3o apenas para provas objetivas, mas tamb\u00e9m para quest\u00f5es discursivas e pe\u00e7as processuais em concursos da magistratura, minist\u00e9rio p\u00fablico e advocacia p\u00fablica.<\/p>\n<\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A capacidade processual \u00e9 um dos pressupostos processuais de validade da rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica processual. Trata-se de condi\u00e7\u00e3o essencial para que as partes possam estar validamente em ju\u00edzo, seja para propor a\u00e7\u00f5es (capacidade ativa) ou para figurar como r\u00e9u (capacidade passiva). 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