{"id":5454,"date":"2025-12-29T18:45:42","date_gmt":"2025-12-29T21:45:42","guid":{"rendered":"https:\/\/colegadeclasse.com.br\/blog\/?p=5454"},"modified":"2025-12-29T18:45:44","modified_gmt":"2025-12-29T21:45:44","slug":"direitos-de-vizinhanca-aspectos-teoricos-e-praticos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/colegadeclasse.com.br\/blog\/2025\/12\/29\/direitos-de-vizinhanca-aspectos-teoricos-e-praticos\/","title":{"rendered":"DIREITOS DE VIZINHAN\u00c7A: ASPECTOS TE\u00d3RICOS E PR\u00c1TICOS"},"content":{"rendered":"<div style=\"display:flex; gap:10px;justify-content:flex-end\" class=\"wps-pgfw-pdf-generate-icon__wrapper-frontend\">\n\t\t<a  href=\"https:\/\/colegadeclasse.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5454?action=genpdf&amp;id=5454\" class=\"pgfw-single-pdf-download-button\" ><img src=\"https:\/\/colegadeclasse.com.br\/blog\/wp-content\/plugins\/pdf-generator-for-wp\/admin\/src\/images\/PDF_Tray.svg\" title=\"Gerar PDF  \" style=\"width:auto; height:45px;\"><\/a>\n\t\t<\/div>\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<p class=\"\">Os direitos de vizinhan\u00e7a constituem um conjunto de normas do C\u00f3digo Civil brasileiro que estabelecem limita\u00e7\u00f5es ao exerc\u00edcio da propriedade em raz\u00e3o da proximidade entre im\u00f3veis cont\u00edguos. N\u00e3o se trata de restri\u00e7\u00f5es impostas por servid\u00e3o ou por outro direito real limitado, mas sim de&nbsp;<strong>limita\u00e7\u00f5es legais intr\u00ednsecas ao pr\u00f3prio direito de propriedade<\/strong>, decorrentes da necessidade de coexist\u00eancia harm\u00f4nica entre vizinhos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">A fundamenta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica desses direitos encontra-se no princ\u00edpio da&nbsp;<strong>fun\u00e7\u00e3o social da propriedade<\/strong>&nbsp;(art. 5\u00ba, XXIII, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal), que exige que o exerc\u00edcio do direito de propriedade n\u00e3o prejudique terceiros. Como leciona a doutrina majorit\u00e1ria, a propriedade, embora conferindo poderes amplos ao titular, n\u00e3o \u00e9 absoluta, devendo respeitar os direitos da coletividade e dos propriet\u00e1rios vizinhos.<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Do Uso Anormal da Propriedade (Arts. 1.277 a 1.281)<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Fundamento e Conceito<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"\">O art. 1.277 estabelece a cl\u00e1usula geral do uso anormal da propriedade, consagrando o direito do propriet\u00e1rio ou possuidor de fazer cessar as&nbsp;<strong>interfer\u00eancias prejudiciais \u00e0 seguran\u00e7a, ao sossego e \u00e0 sa\u00fade<\/strong>&nbsp;dos que habitam seu pr\u00e9dio, quando provocadas pela utiliza\u00e7\u00e3o de propriedade vizinha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Note-se que a norma protege tr\u00eas bens jur\u00eddicos fundamentais:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li class=\"\"><strong>Seguran\u00e7a:<\/strong>\u00a0relacionada \u00e0 integridade f\u00edsica do im\u00f3vel e de seus ocupantes<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\"><strong>Sossego:<\/strong>\u00a0relacionado ao conforto ac\u00fastico e \u00e0 tranquilidade<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\"><strong>Sa\u00fade:<\/strong>\u00a0relacionada \u00e0s condi\u00e7\u00f5es ambientais e sanit\u00e1rias<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Crit\u00e9rios de Aferi\u00e7\u00e3o da Normalidade<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"\">O par\u00e1grafo \u00fanico do art. 1.277 estabelece os crit\u00e9rios objetivos para determinar se uma interfer\u00eancia \u00e9 ou n\u00e3o toler\u00e1vel:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li class=\"\"><strong>Natureza da utiliza\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0deve-se considerar o tipo de atividade exercida no im\u00f3vel (residencial, comercial, industrial)<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\"><strong>Localiza\u00e7\u00e3o do pr\u00e9dio:<\/strong>\u00a0a an\u00e1lise deve considerar se o im\u00f3vel est\u00e1 em zona urbana ou rural, residencial ou comercial<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\"><strong>Normas de zoneamento:<\/strong>\u00a0devem ser observadas as leis municipais que disciplinam o uso e ocupa\u00e7\u00e3o do solo<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\"><strong>Limites ordin\u00e1rios de toler\u00e2ncia:<\/strong>\u00a0padr\u00e3o objetivo que varia conforme os costumes locais e a sensibilidade m\u00e9dia da popula\u00e7\u00e3o<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>OBSERVA\u00c7\u00c3O IMPORTANTE:<\/strong>&nbsp;A doutrina e jurisprud\u00eancia adotam a&nbsp;<strong>teoria da relatividade<\/strong>&nbsp;no uso da propriedade. O que \u00e9 considerado uso anormal em determinado contexto pode ser normal em outro. Por exemplo, barulhos industriais s\u00e3o toler\u00e1veis em zona industrial, mas n\u00e3o em zona estritamente residencial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">A jurisprud\u00eancia do STJ tem reconhecido situa\u00e7\u00f5es diversas como uso anormal da propriedade, incluindo polui\u00e7\u00e3o sonora excessiva, emiss\u00e3o de odores f\u00e9tidos, infiltra\u00e7\u00f5es constantes, vibra\u00e7\u00f5es que comprometem a estrutura dos im\u00f3veis vizinhos, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Interesse P\u00fablico e Indeniza\u00e7\u00e3o (Art. 1.278)<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"\">O art. 1.278 estabelece uma importante exce\u00e7\u00e3o ao direito de fazer cessar as interfer\u00eancias: quando estas forem justificadas por&nbsp;<strong>interesse p\u00fablico<\/strong>, o vizinho n\u00e3o poder\u00e1 exigir sua cessa\u00e7\u00e3o, mas ter\u00e1 direito a&nbsp;<strong>indeniza\u00e7\u00e3o cabal<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Exemplos pr\u00e1ticos incluem: constru\u00e7\u00e3o de estrada, ferrovia, aeroporto, esta\u00e7\u00e3o de tratamento de esgoto, posto de sa\u00fade, escola p\u00fablica. Nestes casos, embora o interesse coletivo prevale\u00e7a sobre o interesse particular, o propriet\u00e1rio prejudicado n\u00e3o pode suportar sozinho o \u00f4nus da atividade de interesse p\u00fablico, fazendo jus \u00e0 compensa\u00e7\u00e3o financeira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"ptt-red\"><strong>ATEN\u00c7\u00c3O:<\/strong>&nbsp;A indeniza\u00e7\u00e3o deve ser &#8220;cabal&#8221;, isto \u00e9, completa, abrangendo tanto os danos emergentes (preju\u00edzos efetivos) quanto os lucros cessantes (o que razoavelmente se deixou de ganhar).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Redu\u00e7\u00e3o ou Elimina\u00e7\u00e3o Posterior (Art. 1.279)<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"\">Mesmo nas hip\u00f3teses em que, por decis\u00e3o judicial, as interfer\u00eancias devam ser toleradas em raz\u00e3o do interesse p\u00fablico, o art. 1.279 assegura ao vizinho o direito de exigir a&nbsp;<strong>redu\u00e7\u00e3o ou elimina\u00e7\u00e3o<\/strong>&nbsp;dessas interfer\u00eancias quando se tornarem poss\u00edveis, por exemplo, mediante avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos ou ado\u00e7\u00e3o de medidas mitigadoras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Este dispositivo concretiza o princ\u00edpio da&nbsp;<strong>progressividade na prote\u00e7\u00e3o ambiental<\/strong>&nbsp;e demonstra que a toler\u00e2ncia imposta n\u00e3o \u00e9 definitiva e imut\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Ru\u00edna Iminente e Cau\u00e7\u00e3o (Arts. 1.280 e 1.281)<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"\">Os arts. 1.280 e 1.281 disciplinam situa\u00e7\u00f5es de&nbsp;<strong>risco iminente<\/strong>:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>Art. 1.280:<\/strong>&nbsp;Trata da ru\u00edna do pr\u00e9dio vizinho. O propriet\u00e1rio ou possuidor pode exigir:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li class=\"\">A demoli\u00e7\u00e3o do pr\u00e9dio em ru\u00edna<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">A repara\u00e7\u00e3o do pr\u00e9dio<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">Presta\u00e7\u00e3o de cau\u00e7\u00e3o pelo dano iminente<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>Art. 1.281:<\/strong>&nbsp;Refere-se \u00e0s obras realizadas por terceiros no pr\u00e9dio vizinho. Havendo direito de algu\u00e9m fazer obras no pr\u00e9dio vizinho (por exemplo, em raz\u00e3o de contrato de loca\u00e7\u00e3o, comodato ou presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os), o propriet\u00e1rio do pr\u00e9dio cont\u00edguo pode exigir garantias contra eventuais preju\u00edzos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"ppt-white\"><strong>PONTO CRUCIAL:<\/strong>&nbsp;A express\u00e3o &#8220;dano iminente&#8221; significa que o risco deve ser concreto e atual, n\u00e3o sendo suficiente um risco meramente abstrato ou hipot\u00e9tico.<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Das \u00c1rvores Lim\u00edtrofes (Arts. 1.282 a 1.284)<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">\u00c1rvore na Linha Divis\u00f3ria (Art. 1.282)<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"\">Quando o tronco da \u00e1rvore estiver exatamente na linha divis\u00f3ria entre dois pr\u00e9dios, presume-se que ela pertence em&nbsp;<strong>condom\u00ednio<\/strong>&nbsp;aos dois propriet\u00e1rios confinantes. Trata-se de&nbsp;<strong>presun\u00e7\u00e3o juris tantum<\/strong>&nbsp;(relativa), admitindo prova em contr\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"ptt-yellow\"><strong>OBSERVA\u00c7\u00c3O:<\/strong>&nbsp;A express\u00e3o &#8220;tronco&#8221; deve ser interpretada de forma rigorosa. Se o tronco estiver totalmente dentro de um dos terrenos, ainda que os galhos avancem sobre o outro, a \u00e1rvore pertence exclusivamente ao propriet\u00e1rio do terreno onde est\u00e1 o tronco.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Ra\u00edzes e Ramos Invasores (Art. 1.283)<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"\">O art. 1.283 confere ao propriet\u00e1rio do terreno invadido o&nbsp;<strong>direito de cortar<\/strong>&nbsp;as ra\u00edzes e ramos que ultrapassarem a estrema (limite) do pr\u00e9dio, at\u00e9 o plano vertical divis\u00f3rio, sem necessidade de autoriza\u00e7\u00e3o do vizinho ou de interven\u00e7\u00e3o judicial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Este direito decorre do princ\u00edpio de que ningu\u00e9m pode ser obrigado a suportar invas\u00f5es em sua propriedade. Trata-se de&nbsp;<strong>exerc\u00edcio regular de direito<\/strong>, n\u00e3o gerando obriga\u00e7\u00e3o de indenizar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"ptt-red\">O corte deve ser feito &#8220;at\u00e9 o plano vertical divis\u00f3rio&#8221;, n\u00e3o sendo l\u00edcito avan\u00e7ar sobre o terreno vizinho para cortar partes da \u00e1rvore que l\u00e1 estejam. Caso seja necess\u00e1rio ingressar no terreno vizinho, deve-se aplicar o art. 1.313.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Frutos Ca\u00eddos (Art. 1.284)<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"\">Os frutos que ca\u00edrem naturalmente de \u00e1rvore do terreno vizinho pertencem ao&nbsp;<strong>dono do solo onde ca\u00edram<\/strong>, se este for de propriedade particular. Aplica-se aqui o princ\u00edpio romano&nbsp;<em>accessio cedit principali<\/em>&nbsp;(o acess\u00f3rio segue o principal).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"ptt-white\">A norma refere-se apenas aos frutos que caem\u00a0<strong>naturalmente<\/strong>. Se algu\u00e9m derrubar ou colher os frutos fazendo-os cair propositalmente no terreno vizinho, n\u00e3o se aplica esta regra, podendo configurar esbulho ou furto.<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Da Passagem For\u00e7ada (Art. 1.285)<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Conceito e Requisitos<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"\">A passagem for\u00e7ada, tamb\u00e9m denominada&nbsp;<strong>caminho de necessidade<\/strong>&nbsp;ou&nbsp;<strong>servid\u00e3o legal de passagem<\/strong>, \u00e9 o direito conferido ao propriet\u00e1rio do pr\u00e9dio que n\u00e3o tem acesso a via p\u00fablica, nascente ou porto de&nbsp;<strong>constranger o vizinho a dar-lhe passagem<\/strong>, mediante pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Requisitos para a configura\u00e7\u00e3o do direito \u00e0 passagem for\u00e7ada:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li class=\"\"><strong>Pr\u00e9dio encravado:<\/strong>\u00a0sem acesso a via p\u00fablica, nascente ou porto<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\"><strong>Necessidade absoluta:<\/strong>\u00a0n\u00e3o h\u00e1 outro meio de acesso<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\"><strong>Indeniza\u00e7\u00e3o cabal:<\/strong>\u00a0pagamento ao vizinho pelo uso de seu terreno<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>OBSERVA\u00c7\u00c3O CR\u00cdTICA:<\/strong>&nbsp;O STJ tem reconhecido que n\u00e3o apenas o&nbsp;<strong>propriet\u00e1rio<\/strong>, mas tamb\u00e9m o&nbsp;<strong>possuidor<\/strong>&nbsp;de im\u00f3vel encravado possui legitimidade para postular a passagem for\u00e7ada. Essa interpreta\u00e7\u00e3o extensiva decorre da natureza propter rem da obriga\u00e7\u00e3o e da fun\u00e7\u00e3o social da posse&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.stj.jus.br\/sites\/portalp\/Paginas\/Comunicacao\/Noticias\/2023\/06062023-Possuidor-de-imovel-encravado-tem-direito-a-passagem-forcada.aspx\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Escolha do Vizinho Constrangido (\u00a7 1\u00ba)<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"\">O \u00a7 1\u00ba do art. 1.285 estabelece que sofrer\u00e1 o constrangimento o vizinho&nbsp;<strong>cujo im\u00f3vel mais natural e facilmente se prestar \u00e0 passagem<\/strong>. Crit\u00e9rios a serem observados:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li class=\"\">Menor extens\u00e3o do trajeto<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">Menor custo da obra<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">Menor preju\u00edzo ao pr\u00e9dio serviente<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">Maior facilidade de execu\u00e7\u00e3o<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Aliena\u00e7\u00e3o Parcial do Pr\u00e9dio (\u00a7\u00a7 2\u00ba e 3\u00ba)<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"\">Os \u00a7\u00a7 2\u00ba e 3\u00ba tratam de hip\u00f3teses especiais:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>\u00a7 2\u00ba:<\/strong>&nbsp;Se ocorrer aliena\u00e7\u00e3o parcial do pr\u00e9dio, de modo que uma das partes perca o acesso a via p\u00fablica, o propriet\u00e1rio da outra parte&nbsp;<strong>deve tolerar a passagem<\/strong>. Neste caso, a doutrina majorit\u00e1ria entende que&nbsp;<strong>n\u00e3o h\u00e1 direito \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o<\/strong>, pois o encravamento decorreu de ato volunt\u00e1rio dos pr\u00f3prios interessados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>\u00a7 3\u00ba:<\/strong>&nbsp;Mesmo que antes da aliena\u00e7\u00e3o existisse passagem atrav\u00e9s de im\u00f3vel vizinho, o propriet\u00e1rio deste n\u00e3o est\u00e1 constrangido a continuar fornecendo a passagem ap\u00f3s o desmembramento. A passagem deve ser buscada atrav\u00e9s da parte alienada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"ptt-white\"><strong>PONTO DE ATEN\u00c7\u00c3O PARA CONCURSOS:<\/strong>&nbsp;A distin\u00e7\u00e3o entre encravamento natural (com direito \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o) e encravamento artificial\/volunt\u00e1rio (sem direito \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o) \u00e9 frequentemente cobrada em provas.<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Da Passagem de Cabos e Tubula\u00e7\u00f5es (Arts. 1.286 e 1.287)<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Servid\u00e3o Administrativa e Utilidade P\u00fablica<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"\">O art. 1.286 regula a passagem de&nbsp;<strong>cabos, tubula\u00e7\u00f5es e outros condutos subterr\u00e2neos de servi\u00e7os de utilidade p\u00fablica<\/strong>&nbsp;(\u00e1gua, esgoto, energia el\u00e9trica, telefonia, g\u00e1s, etc.) atrav\u00e9s de im\u00f3vel particular.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Requisitos cumulativos:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li class=\"\">Servi\u00e7os de\u00a0<strong>utilidade p\u00fablica<\/strong><\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">Em proveito de\u00a0<strong>propriet\u00e1rios vizinhos<\/strong><\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">Impossibilidade ou onerosidade excessiva de outro trajeto<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">Pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o que atenda tamb\u00e9m \u00e0\u00a0<strong>desvaloriza\u00e7\u00e3o da \u00e1rea remanescente<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"ptt-yellow\"><strong>OBSERVA\u00c7\u00c3O:<\/strong>&nbsp;A indeniza\u00e7\u00e3o deve contemplar n\u00e3o apenas o valor da faixa ocupada, mas tamb\u00e9m a eventual desvaloriza\u00e7\u00e3o da parte restante do im\u00f3vel em raz\u00e3o da restri\u00e7\u00e3o imposta.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Direitos do Propriet\u00e1rio Prejudicado (Par\u00e1grafo \u00fanico)<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"\">O par\u00e1grafo \u00fanico do art. 1.286 confere ao propriet\u00e1rio prejudicado dois direitos:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li class=\"\">Exigir que a instala\u00e7\u00e3o seja feita de\u00a0<strong>modo menos gravoso<\/strong>\u00a0ao pr\u00e9dio onerado<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">Exigir que, depois, seja\u00a0<strong>removida para outro local<\/strong>\u00a0do im\u00f3vel, \u00e0 custa do benefici\u00e1rio<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Obras de Seguran\u00e7a (Art. 1.287)<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"\">Se as instala\u00e7\u00f5es oferecerem&nbsp;<strong>grave risco<\/strong>, o propriet\u00e1rio do pr\u00e9dio onerado pode exigir a realiza\u00e7\u00e3o de obras de seguran\u00e7a. Quem deve arcar com os custos? A quest\u00e3o \u00e9 controvertida na doutrina, mas prevalece o entendimento de que cabe ao titular da instala\u00e7\u00e3o, por for\u00e7a do disposto no art. 1.294, que manda aplicar o art. 1.286.<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Das \u00c1guas (Arts. 1.288 a 1.296)<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">\u00c1guas Naturais (Art. 1.288)<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"\">O art. 1.288 consagra o&nbsp;<strong>princ\u00edpio da gravita\u00e7\u00e3o natural das \u00e1guas<\/strong>: o dono ou possuidor do pr\u00e9dio inferior \u00e9 obrigado a receber as \u00e1guas que correm&nbsp;<strong>naturalmente<\/strong>&nbsp;do superior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Veda\u00e7\u00f5es importantes:<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:66.66%\">\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li class=\"\">O propriet\u00e1rio do pr\u00e9dio inferior\u00a0<strong>n\u00e3o pode<\/strong>\u00a0realizar obras que embaracem o fluxo natural<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">O propriet\u00e1rio do pr\u00e9dio superior\u00a0<strong>n\u00e3o pode<\/strong>\u00a0agravar a condi\u00e7\u00e3o natural e anterior do pr\u00e9dio inferior por meio de obras<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:33.33%\">\n<p class=\"ptt-red\"><strong>ATEN\u00c7\u00c3O:<\/strong>&nbsp;A palavra-chave \u00e9 &#8220;naturalmente&#8221;. Refere-se \u00e0s \u00e1guas pluviais e ao escoamento natural do terreno, sem interven\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">\u00c1guas Artificiais (Art. 1.289)<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"\">Quando as \u00e1guas forem&nbsp;<strong>artificialmente<\/strong>&nbsp;levadas ao pr\u00e9dio superior ou a\u00ed colhidas (por exemplo, por meio de canaliza\u00e7\u00e3o, desvio, represamento), o dono do pr\u00e9dio inferior pode:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li class=\"\">Reclamar que se\u00a0<strong>desviem<\/strong>\u00a0as \u00e1guas<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">Exigir\u00a0<strong>indeniza\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0pelo preju\u00edzo sofrido<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"\">O par\u00e1grafo \u00fanico estabelece que da indeniza\u00e7\u00e3o ser\u00e1 deduzido o&nbsp;<strong>valor do benef\u00edcio obtido<\/strong>. Por exemplo, se as \u00e1guas artificiais tamb\u00e9m trouxeram benef\u00edcios ao pr\u00e9dio inferior (irriga\u00e7\u00e3o, fertiliza\u00e7\u00e3o), esse valor deve ser abatido do montante indenizat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Nascentes e \u00c1guas Pluviais (Art. 1.290)<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"\">O propriet\u00e1rio de nascente ou do solo onde caem \u00e1guas pluviais n\u00e3o pode, ap\u00f3s satisfazer suas necessidades de consumo,&nbsp;<strong>impedir ou desviar<\/strong>&nbsp;o curso natural das \u00e1guas remanescentes pelos pr\u00e9dios inferiores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Este dispositivo harmoniza o direito de propriedade com o princ\u00edpio da solidariedade, garantindo que todos os propriet\u00e1rios inferiores possam beneficiar-se das \u00e1guas naturais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"ptt-white\"><strong>OBSERVA\u00c7\u00c3O:<\/strong>&nbsp;A express\u00e3o &#8220;satisfeitas as necessidades de seu consumo&#8221; refere-se \u00e0s necessidades ordin\u00e1rias e razo\u00e1veis, n\u00e3o podendo o propriet\u00e1rio superior esgotar todo o curso d&#8217;\u00e1gua sob pretexto de satisfazer necessidades desproporcionais ou artificialmente criadas.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Polui\u00e7\u00e3o das \u00c1guas (Art. 1.291)<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"\">O art. 1.291 estabelece prote\u00e7\u00e3o especial \u00e0s&nbsp;<strong>\u00e1guas indispens\u00e1veis \u00e0s primeiras necessidades da vida<\/strong>&nbsp;(beber, cozinhar, higiene b\u00e1sica). O possuidor do im\u00f3vel superior:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li class=\"\"><strong>N\u00e3o pode<\/strong>\u00a0poluir essas \u00e1guas essenciais<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\"><strong>Deve recuperar<\/strong>\u00a0as demais \u00e1guas que poluir<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\"><strong>Deve ressarcir<\/strong>\u00a0os danos, se n\u00e3o for poss\u00edvel a recupera\u00e7\u00e3o ou desvio<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"\">Este dispositivo reflete a hierarquia constitucional do direito \u00e0 \u00e1gua como direito fundamental impl\u00edcito no art. 5\u00ba da Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Represamento de \u00c1guas (Art. 1.292)<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"\">O propriet\u00e1rio tem direito de construir&nbsp;<strong>barragens, a\u00e7udes ou outras obras de represamento<\/strong>&nbsp;em seu pr\u00e9dio. Contudo, se as \u00e1guas represadas invadirem pr\u00e9dio alheio, o propriet\u00e1rio ser\u00e1&nbsp;<strong>indenizado<\/strong>&nbsp;pelo dano sofrido, deduzido o valor do benef\u00edcio obtido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>PONTO DE ATEN\u00c7\u00c3O:<\/strong>&nbsp;O direito de construir barragens n\u00e3o \u00e9 absoluto. Deve-se observar:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li class=\"\">Legisla\u00e7\u00e3o ambiental (licenciamento)<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">Direito dos propriet\u00e1rios inferiores \u00e0s \u00e1guas excedentes<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">Direito \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o em caso de invas\u00e3o<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Constru\u00e7\u00e3o de Canais e Aquedutos (Arts. 1.293 a 1.296)<\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Direito de Canaliza\u00e7\u00e3o (Art. 1.293)<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"\">\u00c9 permitido a qualquer pessoa, mediante&nbsp;<strong>pr\u00e9via indeniza\u00e7\u00e3o<\/strong>, construir canais atrav\u00e9s de pr\u00e9dios alheios para:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li class=\"\">Receber \u00e1guas indispens\u00e1veis \u00e0s\u00a0<strong>primeiras necessidades da vida<\/strong><\/li>\n\n\n\n<li class=\"\"><strong>Escoamento<\/strong>\u00a0de \u00e1guas sup\u00e9rfluas ou acumuladas<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\"><strong>Drenagem<\/strong>\u00a0de terrenos<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"\">Desde que n\u00e3o cause preju\u00edzo consider\u00e1vel \u00e0 agricultura e \u00e0 ind\u00fastria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">O \u00a7 1\u00ba assegura ao propriet\u00e1rio prejudicado ressarcimento por danos futuros decorrentes de infiltra\u00e7\u00e3o, irrup\u00e7\u00e3o ou deteriora\u00e7\u00e3o das obras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">O \u00a7 2\u00ba estabelece que o propriet\u00e1rio prejudicado pode exigir que seja&nbsp;<strong>subterr\u00e2nea<\/strong>&nbsp;a canaliza\u00e7\u00e3o que atravesse \u00e1reas edificadas, p\u00e1tios, hortas, jardins ou quintais, preservando assim a est\u00e9tica e a funcionalidade desses espa\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">O \u00a7 3\u00ba determina que o aqueduto ser\u00e1 constru\u00eddo de&nbsp;<strong>modo a causar menor preju\u00edzo<\/strong>&nbsp;e \u00e0s&nbsp;<strong>expensas de seu dono<\/strong>, a quem incumbem tamb\u00e9m as despesas de conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Aplica\u00e7\u00e3o Subsidi\u00e1ria (Art. 1.294)<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"\">O art. 1.294 determina a aplica\u00e7\u00e3o ao direito de aqueduto das regras dos arts. 1.286 e 1.287, concernentes \u00e0 passagem de cabos e tubula\u00e7\u00f5es, estabelecendo regime jur\u00eddico harmonizado.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Uso da \u00c1gua do Aqueduto (Art. 1.295)<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"\">O art. 1.295 equilibra os interesses do dono do aqueduto e dos propriet\u00e1rios dos im\u00f3veis atravessados:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li class=\"\">Os propriet\u00e1rios podem\u00a0<strong>cercar os im\u00f3veis<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>construir sobre<\/strong>\u00a0o aqueduto<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">Devem preservar a\u00a0<strong>seguran\u00e7a e conserva\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0do aqueduto<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">Podem usar as \u00e1guas do aqueduto para as\u00a0<strong>primeiras necessidades da vida<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Deriva\u00e7\u00e3o de \u00c1guas Sup\u00e9rfluas (Art. 1.296)<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"\">Havendo \u00e1guas sup\u00e9rfluas no aqueduto, outros podem canaliz\u00e1-las, mediante pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o aos propriet\u00e1rios prejudicados e ao dono do aqueduto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">O par\u00e1grafo \u00fanico estabelece&nbsp;<strong>prefer\u00eancia<\/strong>&nbsp;aos propriet\u00e1rios dos im\u00f3veis atravessados pelo aqueduto, reconhecendo que estes j\u00e1 suportam o \u00f4nus da passagem.<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Dos Limites Entre Pr\u00e9dios e do Direito de Tapagem (Arts. 1.297 e 1.298)<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Direito de Cercar e Demarcar (Art. 1.297)<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"\">O art. 1.297 consagra o&nbsp;<strong>direito de tapagem<\/strong>, que compreende:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li class=\"\">Direito de\u00a0<strong>cercar, murar, valar ou tapar<\/strong>\u00a0de qualquer modo o pr\u00e9dio<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">Direito de\u00a0<strong>constranger o confinante<\/strong>\u00a0a proceder com ele \u00e0 demarca\u00e7\u00e3o<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">Direito de\u00a0<strong>aviventar rumos<\/strong>\u00a0apagados<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">Direito de\u00a0<strong>renovar marcos<\/strong>\u00a0destru\u00eddos ou arruinados<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"\">As despesas devem ser repartidas&nbsp;<strong>proporcionalmente<\/strong>&nbsp;entre os interessados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>ATEN\u00c7\u00c3O:<\/strong>&nbsp;O \u00a7 1\u00ba estabelece presun\u00e7\u00e3o de&nbsp;<strong>condom\u00ednio<\/strong>&nbsp;sobre os muros, cercas e tapumes divis\u00f3rios, sendo ambos os propriet\u00e1rios obrigados a concorrer, em&nbsp;<strong>partes iguais<\/strong>, para as despesas de constru\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o, conforme os costumes locais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">O \u00a7 2\u00ba pro\u00edbe o corte ou arranque de sebes vivas, \u00e1rvores ou plantas que servem de marco divis\u00f3rio, salvo&nbsp;<strong>comum acordo<\/strong>&nbsp;entre propriet\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">O \u00a7 3\u00ba determina que tapumes especiais (para impedir passagem de animais de pequeno porte ou outro fim espec\u00edfico) podem ser exigidos de&nbsp;<strong>quem provocou a necessidade<\/strong>, n\u00e3o estando o outro propriet\u00e1rio obrigado a concorrer para as despesas.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Limites Confusos (Art. 1.298)<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"\">Quando os limites s\u00e3o confusos e n\u00e3o h\u00e1 outro meio de determin\u00e1-los, o art. 1.298 estabelece a seguinte ordem de crit\u00e9rios:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li class=\"\"><strong>Posse justa<\/strong><\/li>\n\n\n\n<li class=\"\"><strong>Divis\u00e3o por partes iguais<\/strong>\u00a0(se n\u00e3o houver prova da posse)<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\"><strong>Adjudica\u00e7\u00e3o a um deles mediante indeniza\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0(se a divis\u00e3o n\u00e3o for c\u00f4moda)<\/li>\n<\/ol>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Do Direito de Construir (Arts. 1.299 a 1.313)<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Liberdade de Construir e seus Limites (Art. 1.299)<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"\">O art. 1.299 estabelece o&nbsp;<strong>princ\u00edpio da liberdade de construir<\/strong>: o propriet\u00e1rio pode levantar em seu terreno as constru\u00e7\u00f5es que lhe aprouver. Este direito, contudo, encontra dois limites expressos:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li class=\"\"><strong>Direito dos vizinhos<\/strong>\u00a0(arts. 1.300 a 1.313)<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\"><strong>Regulamentos administrativos<\/strong>\u00a0(leis de zoneamento, c\u00f3digo de obras, posturas municipais)<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Escoamento de \u00c1guas Pluviais (Art. 1.300)<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"\">O art. 1.300 veda que o propriet\u00e1rio construa de modo que seu pr\u00e9dio&nbsp;<strong>despeje \u00e1guas diretamente<\/strong>&nbsp;sobre o pr\u00e9dio vizinho. Deve-se instalar calhas, rufos e condutores que direcionem as \u00e1guas para o pr\u00f3prio terreno ou via p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"ptt-red\"><strong>PONTO DE ATEN\u00c7\u00c3O:<\/strong>&nbsp;A veda\u00e7\u00e3o refere-se ao despejo &#8220;direto&#8221;. N\u00e3o se pode impedir que, em dias de chuva muito forte, respingos atinjam o terreno vizinho, desde que n\u00e3o haja canaliza\u00e7\u00e3o dirigida para esse fim.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Abertura de Janelas e V\u00e3os (Art. 1.301)<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"\">O art. 1.301 estabelece regras objetivas sobre dist\u00e2ncias m\u00ednimas:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>Regra geral:<\/strong>&nbsp;\u00c9 defeso abrir janelas, ou fazer eirado, terra\u00e7o ou varanda, a menos de&nbsp;<strong>metro e meio<\/strong>&nbsp;do terreno vizinho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>\u00a7 1\u00ba:<\/strong>&nbsp;Janelas cuja vis\u00e3o n\u00e3o incida sobre a linha divis\u00f3ria (perpendiculares) ou janelas de \u00e2ngulo podem ser abertas a menos de&nbsp;<strong>setenta e cinco cent\u00edmetros<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>\u00a7 2\u00ba:<\/strong>&nbsp;N\u00e3o se aplicam as restri\u00e7\u00f5es \u00e0s&nbsp;<strong>aberturas para luz ou ventila\u00e7\u00e3o<\/strong>&nbsp;(n\u00e3o maiores de 10 cm de largura sobre 20 cm de comprimento), constru\u00eddas a mais de&nbsp;<strong>dois metros de altura<\/strong>&nbsp;de cada piso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>S\u00daMULAS RELEVANTES:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"sumula\"><strong>S\u00famula 414 do STF:<\/strong>&nbsp;&#8220;N\u00e3o se distingue a vis\u00e3o direta da obl\u00edqua na proibi\u00e7\u00e3o de abrir janela, ou fazer terra\u00e7o, eirado, ou varanda, a menos de metro e meio do pr\u00e9dio de outrem&#8221;&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.tjrj.jus.br\/documents\/d\/portal-conhecimento\/direitodevizinhanca\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Esta s\u00famula esclarece que tanto a vis\u00e3o frontal quanto a lateral est\u00e3o sujeitas \u00e0 mesma restri\u00e7\u00e3o de dist\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"sumula\"><strong>S\u00famula 120 do STF:<\/strong>&nbsp;&#8220;Parede de tijolos de vidro transl\u00facido pode ser levantada a menos de metro e meio do pr\u00e9dio vizinho, n\u00e3o importando servid\u00e3o sobre ele&#8221;&nbsp;<a href=\"https:\/\/portal.stf.jus.br\/jurisprudencia\/sumariosumulas.asp?base=30&amp;sumula=4128\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">A ratio decidendi desta s\u00famula \u00e9 que os tijolos de vidro transl\u00facido n\u00e3o permitem vis\u00e3o n\u00edtida do interior do pr\u00e9dio vizinho, n\u00e3o violando, portanto, a privacidade que a norma visa proteger.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Prazo Decadencial e Toler\u00e2ncia Rec\u00edproca (Art. 1.302)<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"\">O art. 1.302 estabelece&nbsp;<strong>prazo decadencial de ano e dia<\/strong>&nbsp;ap\u00f3s a conclus\u00e3o da obra para que o propriet\u00e1rio exija que se desfa\u00e7a janela, sacada, terra\u00e7o ou goteira sobre seu pr\u00e9dio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>Escoado o prazo<\/strong>, o vizinho n\u00e3o poder\u00e1:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li class=\"\">Exigir a demoli\u00e7\u00e3o<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">Edificar sem atender \u00e0s restri\u00e7\u00f5es legais<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">Impedir ou dificultar o escoamento das \u00e1guas da goteira<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"ptt-white\"><strong>Par\u00e1grafo \u00fanico:<\/strong>&nbsp;Tratando-se de&nbsp;<strong>v\u00e3os para luz<\/strong>&nbsp;(aberturas para luz ou ventila\u00e7\u00e3o previstas no \u00a7 2\u00ba do art. 1.301), o vizinho pode,&nbsp;<strong>a todo tempo<\/strong>, levantar sua edifica\u00e7\u00e3o ou contramuro, ainda que lhes vede a claridade, pois n\u00e3o h\u00e1 direito adquirido a luz sobre o terreno alheio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>OBSERVA\u00c7\u00c3O CR\u00cdTICA:<\/strong>&nbsp;A jurisprud\u00eancia tem interpretado o prazo de ano e dia de forma rigorosa. O termo inicial \u00e9 a&nbsp;<strong>conclus\u00e3o da obra<\/strong>&nbsp;irregular, n\u00e3o a ci\u00eancia pelo vizinho. A partir da conclus\u00e3o, inicia-se automaticamente o prazo decadencial.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Constru\u00e7\u00f5es na Zona Rural (Art. 1.303)<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"\">Na zona rural, n\u00e3o \u00e9 permitido levantar edifica\u00e7\u00f5es a menos de&nbsp;<strong>tr\u00eas metros<\/strong>&nbsp;do terreno vizinho. Esta dist\u00e2ncia maior justifica-se pela natureza dos im\u00f3veis rurais e pela necessidade de aceiros para preven\u00e7\u00e3o de inc\u00eandios.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Travejamento em Cidade com Alinhamento (Art. 1.304)<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"\">O art. 1.304 aplica-se \u00e0s cidades, vilas e povoados cuja edifica\u00e7\u00e3o esteja adstrita a alinhamento (constru\u00e7\u00f5es geminadas). Neste caso, o dono de terreno pode edificar&nbsp;<strong>madeirando na parede divis\u00f3ria do pr\u00e9dio cont\u00edguo<\/strong>, desde que:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li class=\"\">A parede suporte a nova constru\u00e7\u00e3o<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">Embolse ao vizinho\u00a0<strong>metade do valor da parede<\/strong>\u00a0e do ch\u00e3o correspondentes<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"\">Trata-se de hip\u00f3tese de&nbsp;<strong>aquisi\u00e7\u00e3o for\u00e7ada de mea\u00e7\u00e3o<\/strong>, mediante pagamento.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Parede Divis\u00f3ria e Alicerce (Art. 1.305)<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"\">O confinante que primeiro construir pode assentar a parede divis\u00f3ria at\u00e9&nbsp;<strong>meia espessura<\/strong>&nbsp;no terreno cont\u00edguo, sem perder o direito a haver meio valor dela se o vizinho a travejar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">O par\u00e1grafo \u00fanico prev\u00ea que, se a parede divis\u00f3ria pertencer a um dos vizinhos e n\u00e3o tiver capacidade para ser travejada, o outro n\u00e3o pode fazer-lhe alicerce ao p\u00e9 sem&nbsp;<strong>prestar cau\u00e7\u00e3o<\/strong>&nbsp;pelo risco a que exp\u00f5e a constru\u00e7\u00e3o anterior.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Utiliza\u00e7\u00e3o da Parede-Meia (Art. 1.306)<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"\">O cond\u00f4mino da parede-meia pode utiliz\u00e1-la at\u00e9 o&nbsp;<strong>meio da espessura<\/strong>, observando:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li class=\"\">N\u00e3o p\u00f4r em risco a seguran\u00e7a ou separa\u00e7\u00e3o dos pr\u00e9dios<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">Avisar previamente o outro cond\u00f4mino<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">N\u00e3o fazer arm\u00e1rios correspondentes a outros j\u00e1 existentes do lado oposto,\u00a0<strong>sem consentimento<\/strong>\u00a0do outro cond\u00f4mino<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>PONTO DE ATEN\u00c7\u00c3O:<\/strong>&nbsp;A veda\u00e7\u00e3o de fazer arm\u00e1rios correspondentes visa evitar fragiliza\u00e7\u00e3o excessiva da parede comum, que poderia comprometer sua fun\u00e7\u00e3o estrutural.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Alteamento de Parede Divis\u00f3ria (Art. 1.307)<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"\">Qualquer confinante pode&nbsp;<strong>altear<\/strong>&nbsp;(aumentar a altura de) a parede divis\u00f3ria, se necess\u00e1rio reconstruindo-a para suportar o alteamento. Quanto \u00e0s despesas:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li class=\"\"><strong>Arcar\u00e1 com todas<\/strong>\u00a0as despesas, inclusive de conserva\u00e7\u00e3o, se o vizinho n\u00e3o adquirir mea\u00e7\u00e3o<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">Arcar\u00e1 com\u00a0<strong>metade<\/strong>, se o vizinho adquirir mea\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m na parte aumentada<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Proibi\u00e7\u00f5es Espec\u00edficas (Arts. 1.308 a 1.310)<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>Art. 1.308:<\/strong>&nbsp;N\u00e3o \u00e9 l\u00edcito encostar \u00e0 parede divis\u00f3ria&nbsp;<strong>chamin\u00e9s, fog\u00f5es, fornos<\/strong>&nbsp;ou aparelhos\/dep\u00f3sitos suscet\u00edveis de produzir infiltra\u00e7\u00f5es ou interfer\u00eancias prejudiciais. O par\u00e1grafo \u00fanico excepciona as&nbsp;<strong>chamin\u00e9s ordin\u00e1rias e fog\u00f5es de cozinha<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>Art. 1.309:<\/strong>&nbsp;S\u00e3o proibidas constru\u00e7\u00f5es capazes de&nbsp;<strong>poluir ou inutilizar<\/strong>&nbsp;a \u00e1gua do po\u00e7o ou nascente alheia&nbsp;<strong>preexistente<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>Art. 1.310:<\/strong>&nbsp;N\u00e3o \u00e9 permitido fazer escava\u00e7\u00f5es ou obras que tirem ao po\u00e7o ou nascente de outrem a&nbsp;<strong>\u00e1gua indispens\u00e1vel<\/strong>&nbsp;\u00e0s suas necessidades normais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"ptt-yellow\"><strong>OBSERVA\u00c7\u00c3O:<\/strong>&nbsp;A distin\u00e7\u00e3o entre os arts. 1.309 e 1.310 reside em que o primeiro veda a polui\u00e7\u00e3o\/inutiliza\u00e7\u00e3o, enquanto o segundo veda a supress\u00e3o do volume d&#8217;\u00e1gua. Ambos protegem o direito \u00e0 \u00e1gua, mas sob perspectivas diferentes (qualidade vs. quantidade).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Obras que Comprometam a Seguran\u00e7a (Art. 1.311)<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"\">O art. 1.311 pro\u00edbe a execu\u00e7\u00e3o de obra ou servi\u00e7o suscet\u00edvel de provocar&nbsp;<strong>desmoronamento, desloca\u00e7\u00e3o de terra<\/strong>&nbsp;ou comprometer a&nbsp;<strong>seguran\u00e7a do pr\u00e9dio vizinho<\/strong>, sen\u00e3o ap\u00f3s obras acautelat\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">O par\u00e1grafo \u00fanico estabelece que o propriet\u00e1rio do pr\u00e9dio vizinho tem direito a&nbsp;<strong>ressarcimento<\/strong>&nbsp;pelos preju\u00edzos que sofrer,&nbsp;<strong>n\u00e3o obstante<\/strong>&nbsp;haverem sido realizadas as obras acautelat\u00f3rias. Trata-se de responsabilidade objetiva pelo risco da atividade.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">San\u00e7\u00e3o pelo Descumprimento (Art. 1.312)<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"\">O art. 1.312 estabelece dupla san\u00e7\u00e3o para quem violar as proibi\u00e7\u00f5es:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li class=\"\"><strong>Obriga\u00e7\u00e3o de demolir<\/strong>\u00a0as constru\u00e7\u00f5es irregulares<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\"><strong>Responsabilidade por perdas e danos<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Direito de Ingresso no Im\u00f3vel Vizinho (Art. 1.313)<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"\">O art. 1.313 estabelece o&nbsp;<strong>direito de ingresso tempor\u00e1rio<\/strong>&nbsp;no im\u00f3vel vizinho, mediante pr\u00e9vio aviso, para:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>I &#8211;<\/strong>&nbsp;Temporariamente usar, quando indispens\u00e1vel \u00e0 repara\u00e7\u00e3o, constru\u00e7\u00e3o, reconstru\u00e7\u00e3o ou limpeza de sua casa ou do muro divis\u00f3rio<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>II &#8211;<\/strong>&nbsp;Apoderar-se de coisas suas, inclusive animais que a\u00ed se encontrem casualmente<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>\u00a7 1\u00ba:<\/strong>&nbsp;Aplica-se tamb\u00e9m aos casos de limpeza ou repara\u00e7\u00e3o de esgotos, goteiras, aparelhos higi\u00eanicos, po\u00e7os e nascentes e ao aparo de cerca viva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>\u00a7 2\u00ba:<\/strong>&nbsp;Na hip\u00f3tese do inciso II, uma vez entregues as coisas buscadas, poder\u00e1 ser impedida a entrada no im\u00f3vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>\u00a7 3\u00ba:<\/strong>&nbsp;Se do exerc\u00edcio do direito provier dano, ter\u00e1 o prejudicado direito a&nbsp;<strong>ressarcimento<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"ptt-red\">O &#8220;pr\u00e9vio aviso&#8221; \u00e9 requisito essencial. O ingresso sem aviso pode configurar viola\u00e7\u00e3o de domic\u00edlio (art. 150 do C\u00f3digo Penal), salvo situa\u00e7\u00e3o de urg\u00eancia que justifique a supress\u00e3o da formalidade.<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<h2 class=\"wp-block-heading\">S\u00edntese das S\u00famulas Aplic\u00e1veis aos Direitos de Vizinhan\u00e7a<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>S\u00famula 120 do STF:<\/strong>&nbsp;&#8220;Parede de tijolos de vidro transl\u00facido pode ser levantada a menos de metro e meio do pr\u00e9dio vizinho, n\u00e3o importando servid\u00e3o sobre ele.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>S\u00famula 414 do STF:<\/strong>&nbsp;&#8220;N\u00e3o se distingue a vis\u00e3o direta da obl\u00edqua na proibi\u00e7\u00e3o de abrir janela, ou fazer terra\u00e7o, eirado, ou varanda, a menos de metro e meio do pr\u00e9dio de outrem.&#8221;<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<p class=\"\">Os direitos de vizinhan\u00e7a s\u00e3o tema recorrente em provas de concursos p\u00fablicos, especialmente para carreiras jur\u00eddicas (magistratura, Minist\u00e9rio P\u00fablico, Defensoria P\u00fablica, Advocacia P\u00fablica) e para o exame da OAB. Os pontos mais cobrados incluem:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li class=\"\"><strong>Distin\u00e7\u00e3o entre direitos de vizinhan\u00e7a e servid\u00f5es<\/strong><\/li>\n\n\n\n<li class=\"\"><strong>Crit\u00e9rios de aferi\u00e7\u00e3o do uso anormal da propriedade<\/strong><\/li>\n\n\n\n<li class=\"\"><strong>Regras sobre abertura de janelas e dist\u00e2ncias m\u00ednimas<\/strong><\/li>\n\n\n\n<li class=\"\"><strong>Passagem for\u00e7ada e suas modalidades<\/strong><\/li>\n\n\n\n<li class=\"\"><strong>Direitos e deveres relativos \u00e0s \u00e1guas<\/strong><\/li>\n\n\n\n<li class=\"\"><strong>Prazos decadenciais<\/strong><\/li>\n\n\n\n<li class=\"\"><strong>S\u00famulas do STF sobre o tema<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>DICA DE ESTUDO:<\/strong>&nbsp;Ao estudar direitos de vizinhan\u00e7a, sempre procure visualizar situa\u00e7\u00f5es concretas e desenhar esquemas dos pr\u00e9dios e das situa\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas. Isso facilitar\u00e1 a compreens\u00e3o e a memoriza\u00e7\u00e3o dos dispositivos legais, al\u00e9m de auxiliar na resolu\u00e7\u00e3o de quest\u00f5es pr\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">A mat\u00e9ria exige do candidato n\u00e3o apenas memoriza\u00e7\u00e3o dos artigos, mas&nbsp;<strong>compreens\u00e3o dos princ\u00edpios<\/strong>&nbsp;que fundamentam as normas (fun\u00e7\u00e3o social da propriedade, veda\u00e7\u00e3o ao abuso de direito, boa-f\u00e9 objetiva, solidariedade social) e&nbsp;<strong>capacidade de aplica\u00e7\u00e3o<\/strong>&nbsp;a casos concretos, ponderando os interesses em conflito \u00e0 luz dos crit\u00e9rios legais e jurisprudenciais.<\/p>\n<\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os direitos de vizinhan\u00e7a constituem um conjunto de normas do C\u00f3digo Civil brasileiro que estabelecem limita\u00e7\u00f5es ao exerc\u00edcio da propriedade em raz\u00e3o da proximidade entre im\u00f3veis cont\u00edguos. 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