Português

Concordância Verbal e Nominal

16/12/2025, Por: Wallace Matheus

A concordância é o mecanismo pelo qual as palavras alteram suas terminações para se harmonizarem dentro da estrutura da frase. Trata-se de um dos pilares da sintaxe da língua portuguesa e um dos tópicos mais recorrentes em provas de concursos públicos. Dominar este conteúdo é fundamental para garantir uma pontuação consistente na disciplina de Língua Portuguesa.

Existem dois tipos de concordância: a verbal e a nominal. A concordância verbal refere-se ao ajuste do verbo em relação ao seu sujeito, enquanto a concordância nominal diz respeito ao ajuste entre substantivos e seus modificadores (adjetivos, artigos, pronomes, numerais).


Concordância Verbal

Regra Geral

A regra fundamental da concordância verbal estabelece que o verbo deve concordar com o sujeito em número (singular ou plural) e pessoa (1ª, 2ª ou 3ª).

Exemplos:

  • O aluno estuda para o concurso. (sujeito singular → verbo singular)
  • Os alunos estudam para o concurso. (sujeito plural → verbo plural)
  • Eu trabalho muito. (1ª pessoa do singular)
  • Nós trabalhamos muito. (1ª pessoa do plural)

Antes de determinar a concordância, identifique corretamente o sujeito da oração. Muitas questões de concurso exploram a dificuldade em localizar o núcleo do sujeito, especialmente quando há termos intercalados entre o sujeito e o verbo.

Sujeito Simples – Casos Especiais

Sujeito Coletivo

Quando o sujeito é representado por um substantivo coletivo no singular, o verbo permanece no singular.

Exemplos:

  • A multidão gritava empolgada.
  • O bando fugiu rapidamente.
  • A turma compareceu à formatura.

Sujeito Coletivo + Especificador no Plural:

Quando o coletivo vem acompanhado de um especificador no plural, o verbo pode ficar no singular (concordando com o coletivo) ou no plural (concordando com o especificador).

Exemplos:

  • A maioria dos candidatos compareceu / compareceram à prova.
  • Um bando de pássaros voava / voavam sobre a cidade.
  • Uma multidão de pessoas gritava / gritavam no estádio.

Embora a dupla possibilidade seja aceita, a concordância no singular é mais formal e conservadora, sendo preferível em textos oficiais.

Expressões Partitivas

Com expressões como “a maioria de”, “grande parte de”, “a maior parte de”, “o restante de”, seguidas de substantivo no plural, o verbo pode concordar com a expressão (singular) ou com o termo no plural.

Exemplos:

  • A maioria dos eleitores votou / votaram conscientemente.
  • Grande parte dos servidores aderiu / aderiram à greve.
  • O restante das mercadorias foi / foram devolvido(as).

Expressões de Porcentagem

Quando o sujeito é uma expressão de porcentagem, a concordância segue estas regras:

a) Porcentagem sozinha: verbo concorda com o número da porcentagem.

  • 1% comprovou a tese. (singular)
  • 2% comprovaram a tese. (plural)
  • 25% compareceram à reunião. (plural)

b) Porcentagem + especificador: verbo pode concordar com a porcentagem ou com o especificador.

  • 1% dos candidatos desistiu / desistiram.
  • 40% da população aprovou / aprovaram a medida.

c) Verbo anteposto à porcentagem: verbo concorda com o numeral.

  • Faltaram 30% dos alunos.

⚠️ IMPORTANTE: Quando a porcentagem vem determinada por artigo ou pronome, o verbo concorda com esse determinante: “Os 30% restantes foram distribuídos.”

Expressão “Mais de Um”

A expressão “mais de um” normalmente exige verbo no singular.

Exemplos:

  • Mais de um candidato compareceu à prova.
  • Mais de um servidor recebeu aumento.

EXCEÇÕES:

a) Reciprocidade: quando há ideia de reciprocidade, o verbo vai para o plural.

  • Mais de um deputado se agrediram na sessão.
  • Mais de um jogador se cumprimentaram após o jogo.

b) Repetição da expressão: quando a expressão se repete, o verbo fica no plural.

  • Mais de um aluno, mais de um professor faltaram à reunião.

Expressão “Um dos que”

Com a expressão “um dos que”, o verbo deve ficar no plural, concordando com o antecedente plural (aqueles/aquelas).

Exemplos:

  • Ela é uma das candidatas que mais estudam. (das candidatas que estudam, ela é uma)
  • Pedro foi um dos alunos que se destacaram na prova.
  • Este é um dos casos que merecem atenção.

Esta é uma regra frequentemente cobrada em concursos. O erro comum é colocar o verbo no singular. Lembre-se: “um dos que” sempre exige plural no verbo.

Sujeito Representado por Pronome Relativo “QUE”

Quando o sujeito é o pronome relativo “que”, o verbo concorda com o antecedente desse pronome.

Exemplos:

  • Sou eu que pago a conta. (antecedente: eu → 1ª pessoa)
  • Somos nós que pagamos a conta. (antecedente: nós → 1ª pessoa plural)
  • Foram eles que roubaram o carro. (antecedente: eles → 3ª pessoa plural)
  • És tu que decides. (antecedente: tu → 2ª pessoa)

Sujeito Representado por Pronome Relativo “QUEM”

Com o pronome relativo “quem”, há dupla possibilidade de concordância:

a) Concordância com o antecedente (mais comum):

  • Fui eu quem escrevi o relatório.
  • Fomos nós quem fizemos o projeto.

b) Concordância na 3ª pessoa do singular:

  • Fui eu quem escreveu o relatório.
  • Fomos nós quem fez o projeto.

Ambas as formas são corretas, mas a concordância com o antecedente é mais natural e frequente na linguagem culta.

Verbos Impessoais

Verbos impessoais não possuem sujeito e permanecem sempre na 3ª pessoa do singular.

1. VERBO HAVER (Impessoal)

1.1. No sentido de EXISTIR

Quando significa “existir”, o verbo HAVER é impessoal (não tem sujeito) e fica sempre na 3ª pessoa do singular .

Exemplos corretos:

  • Há muitos candidatos inscritos. (= Existem muitos candidatos)
  • Havia problemas para resolver. (= Existem problemas)
  • Houve queixas sobre a prova.
  • � mudanças no edital.

❌ ERROS COMUNS:

  • Haviam muitos candidatos.→ ✅Havia muitos candidatos.
  • Houveram reclamar.→ ✅ Houve reclamações.
  • Haverão mudanças.→ ✅ mudanças .

1.2. Indicando TEMPO DECORRIDO

Quando indica tempo passado, o verbo HAVER é impessoal e permanece no singular.

Exemplos corretos:

  • Há dois anos não o vejo.
  • Houve meses que não estudou.
  • Haverá dez anos que eu formei.
  • Houve um ano de preparação intenso.

❌ ERROS COMUNS:

  • Fazem dois anos que não estuda.→ ✅ Faz dois anos que não estuda.
  • Foram três meses que ele partiu.→ ✅ Houve três meses que ele partiu.

1.3. HAVER em LOCUÇÕES VERBAIS (Atenção Redobrada!)

REGRA DE OURO: Quando HAVER (impessoal) é o verbo principal de uma locução verbal, o verbo auxiliar também fica no singular .

Exemplos corretos:

  • Deve haver soluções para o problema.
  • Pode haver queixas dos alunos.
  • Vai haver alterações no regulamento.
  • Deveria haver mais vagas.
  • Poderá haver questionamentos.
  • Costuma haver imprevistos.

❌ PEGADINHA CLÁSSICA DE CONCURSO:

  • Devem haver soluções.→ ✅ Deve haver soluções.
  • Podem haver queda.→ ✅Pode haver queixas.
  • Vão haver mudanças.→ ✅ Vai haver mudanças.

Por quê? O verbo auxiliar “herda” a impessoalidade do verbo principal HAVER.


1.4. HAVER como verbo AUXILIAR (com sujeito)

Quando HAVER é auxiliar em tempos compostos (ter sorte), ele concorda normalmente com o sujeito.

Exemplos:

  • Os alunos treinaram bastante. (sujeito: “os alunos”)
  • Ela havia chegado cedo. (sujeito: “ela”)

🔍Valor crucial:

  • Havia muitos alunos. (HAVER = existir, impessoal, sem sujeito)
  • Os alunos aprenderam . (HAVER = auxiliar de “estudar”, tem sujeito)

1.5. Outros sentidos de HAVER (pessoal)

Quando significa “conseguir”, “obter”, “comportar-se”, HAVER tem sujeito e concorda normalmente.

Exemplos:

  • Eles se houveram bem na prova. (= portaram-se bem)
  • Os candidatos puderam por bem desistir. (= julguei conveniente)

2. VERBO EXISTIR (Pessoal – TEM sujeito!)

Diferentemente de HAVER, o verbo EXISTIR sempre tem sujeito e concorda normalmente com ele.

Exemplos corretos:

  • Existe uma solução. (sujeito: “uma solução”)
  • Existem várias soluções. (sujeito: “várias soluções”)
  • Existe um problema grave. (sujeito: “um problema grave”)
  • Existem muitos problemas. (sujeito: “muitos problemas”)
  • Existem oportunidades para todos. (sujeito: “oportunidades”)

2.1. Comparação HAVER vs.

HAVER (impessoal)EXISTIR (pessoal)
 vagas.Existem vagas.
Havia candidatos.Existem candidatos.
Houve problemas.Existem problemas.
mudanças .Existirão mudanças.

2.2. EXISTIR em locuções verbais

Quando EXISTIR é o verbo principal, o auxiliar concorda com o sujeito (porque EXISTIR não é impessoal).

Exemplos corretos:

  • Devem existir soluções. (sujeito: “soluções” – plural)
  • Podem existir problemas. (sujeito: “problemas” – plural)
  • Deve existir uma saída. (sujeito: “uma saída” – singular)

Comparar:

  • ✅ Deve haver problemas. (HAVER impessoal → auxiliar no singular)
  • ✅ Devem existir problemas. (EXISTIR pessoal → auxiliar concorda com “problemas”)

3. VERBO FAZER (Impessoal)

3.1. Indicando TEMPO DECORRIDO

Quando indica tempo transcorrido , o verbo FAZER é impessoal e fica no singular .

Exemplos corretos:

  • Faz três anos que me formei.
  • Faz dez anos que trabalho aqui.
  • Fazia meses que não o via.
  • Fará um ano que começou o curso.

❌ ERRO GRAVÍSSIMO:

  • Faz três anos que me formei.→ ✅ Faz três anos que me formei.
  • Fazia meses que não estudava.→ ✅ Fazia meses que não estudava.

3.2. Indicando FENÔMENOS NATURAIS (clima/temperatura)

Quando se refere a características da natureza ou do clima , FAZER é impessoal (singular).

Exemplos corretos:

  • Faz muito calor no fogo.
  • Fez dias muito frios em julho.
  • Fazia um tempo agradável.

3.3. FAZER em locuções verbais (tempo decorrido)

O verbo auxiliar também fica no singular quando FAZER é impessoal.

Exemplos corretos:

  • Deve fazer três anos que ele partiu.
  • Vai fazer um mês que estudo aqui.
  • Pode fazer dez dias que não o vejo.

❌ PEGADINHA:

  • Devem fazer três anos.→ ✅ Deve fazer três anos.

3.4. FAZER com sentido de “realizar” (pessoal)

Quando significa “realizar”, “executar”, FAZER tem sujeito e concorda normalmente.

Exemplos:

  • Eles fazem os exercícios diariamente. (sujeito: “eles”)
  • Os alunos fizeram as provas. (sujeito: “os alunos”)

4. VERBOS DE FENÔMENOS NATURAIS (Impessoais)

4.1. Sentido DENOTATIVO (literal) → Impessoal

Quando usados ​​no sentido literal (real/denotativo), são impessoais (singular).

Exemplos:

  • Choveu muito ontem.
  • Ventou forte durante a noite.
  • Nevou na serra gaúcha.
  • Trovejou a madrugada toda.
  • Anoiteceu cedo no inverno.
  • Amanheceu .
  • Relampejou bastante.

4.2. Sentido CONOTATIVO (figurado) → Pessoal

Quando usado em sentido figurado (metafórico), deixa de ser impessoal e concorda com o sujeito.

Exemplos:

  • Choveram críticas ao governo. (sujeito: “críticas” – sentido figurado)
  • Amanheceram mais felizes naquele dia. (sujeito: “eles/as pessoas”)
  • Choveram reclamações sobre o atendimento. (sujeito: “reclamações”)

🔍 Como identificar?

  • Se não é chuva/vento/neve de verdade → sentido figurado → verbo concorda com o sujeito!

5. OUTROS VERBOS IMPESSOAIS IMPORTANTES

5.1. Verbo SER (indicando horas, datas, distância)

a) Horas

  • É uma hora. (singular)
  • São duas horas. (plural)
  • Era meio-dia e meia. (singular, pois “meio-dia” é singular)

b) Dados

  • É 1º de janeiro. (singular, concorda com “1º”)
  • São 15 de novembro. (plural, concorda com “15”)
  • Hoje são 20 de dezembro. (plural)
  • Hoje é dia 1º. (singular)

c) Distância

  • São dez quilômetros até a cidade. (concorda com “dez milhas”)
  • É um quilômetro daqui até lá. (concorda com “um milhão”)

5.2. Verbo BASTAR / CHEGAR / PASSAR (impessoais em alguns contextos)

Quando indicar suficiência ou tempo , podem ser impessoais.

Exemplos:

  • Basta de aplicação! (impessoal – suficiência)
  • Chega de problemas! (impessoal – suficiência)
  • Já passou de duas horas. (impessoal – tempo)

5.3. Expressões com HAVER/FAZER + IR + PARA

Construções complexas que geram dúvidas:

Exemplos corretos:

  • Vai para dois anos que não o vejo. (impessoal – “vai” = faz)
  • Vai fazer/haver dois anos que estudei. (ambos corretos)

6. PEGADINHAS CLÁSSICAS DE CONCURSO

Pegadinha 1: Locuções verbais com HAVER

Podem haver abordagens à regra.
✅Pode haver abordagens à regra.

Explicação: HAVER (existir) é impessoal → auxiliar no singular.


Pegadinha 2: FAZER diminuir tempo

Fazem cinco anos que eu formei.
✅ Faz cinco anos que me formei.

Explicação: FAZER (tempo decorrido) é impessoal → singular.


Pegadinha 3: HAVER vs. EXISTIR em locuções

  • ✅ Deve haver problemas. (HAVER impessoal)
  • ✅ Devem existir problemas. (EXISTIR pessoal, concorda com “problemas”)

Explicação: São verbos diferentes! HAVER é impessoal, EXISTIR tem sujeito.


Pegadinha 4: Fenômenos naturais (literal vs. figurado)

  • ✅ Choveu muito. (literal – impessoal)
  • ✅ Choveram reclamações. (figurado – concorda com “reclamações”)

Explicação: No sentido figurado, o verbo deixa de ser impessoal.


Pegadinha 5: HAVER auxiliar vs. HAVER principal

  • ✅ Os alunos treinados . (HAVER auxiliar de “estudar” – tem sujeito)
  • ✅ Havia muitos alunos. (HAVER = existir – impessoal, sem sujeito)

Explicação: Contextos completamente diferentes!


Pegadinha 6: TER no lugar de HAVER (informal)

Na linguagem informal/coloquial , é comum usar TER no lugar de HAVER:

  • Coloquial: Tem muitas pessoas aqui. (uso oral)
  • Formal:  muitas pessoas aqui. (escrita formal/concursos)

⚠️ Em concursos e textos formais, prefira HAVER no sentido de existir!


7. RESUMO PRÁTICO – QUADRO COMPARATIVO

VerboSentidoImpessoal?Concordância
HAVERexistir✅ SIMsempre singular
HAVERtempo decorrido✅ SIMsempre singular
HAVERauxiliar (tempos compostos)❌ NÃOconcorda com sujeito
EXISTIRexistir❌ NÃOconcorda com sujeito
FAZERtempo decorrido✅ SIMsempre singular
FAZERnatural✅ SIMsempre singular
FAZERrealizar❌ NÃOconcorda com sujeito
Fenômenos naturaissentido literal✅ SIMsempre singular
Fenômenos naturaissentido figurado❌ NÃOconcorda com sujeito

Sujeito Composto

O sujeito composto é aquele que apresenta mais de um núcleo.

Regra Geral

Quando o sujeito composto está anteposto ao verbo, este vai para o plural.

Exemplos:

  • O professor e o aluno chegaram cedo.
  • Maria e José foram aprovados.
  • O gato e o cachorro brigaram.

Sujeito Composto Posposto

Quando o sujeito composto vem depois do verbo, há duas possibilidades:

a) Verbo no plural (concordância total):

  • Chegaram o professor e o aluno.
  • Foram aprovados Maria e José.

b) Verbo concordando com o núcleo mais próximo (concordância atrativa):

  • Chegou o professor e o aluno.
  • Foi aprovada Maria e José.

Embora ambas sejam corretas, a concordância no plural é mais formal e preferível em textos oficiais e documentos jurídicos.

Núcleos Unidos por “OU”

a) Ideias excludentes: verbo no singular.

  • João ou Pedro será eleito presidente. (apenas um)
  • O réu ou o advogado falará primeiro. (um ou outro)

b) Ideias não excludentes: verbo no plural.

  • A dedicação ou o esforço contribuem para o sucesso. (ambos contribuem)
  • O calor ou o frio excessivos prejudicam a saúde.

Núcleos Sinônimos ou Quase Sinônimos

Quando os núcleos são sinônimos ou palavras de sentido aproximado, o verbo pode ficar no singular.

Exemplos:

  • A angústia e a ansiedade me perturbava / perturbavam.
  • O desalento e o desânimo tomou / tomaram conta dele.

Núcleos em Gradação

Quando os núcleos formam uma sequência gradativa, o verbo pode concordar com o último elemento (geralmente o mais forte) ou ir para o plural.

Exemplos:

  • Uma palavra, um gesto, um olhar bastava / bastavam.
  • Um mês, um ano, uma década se passou / se passaram.

Núcleos Resumidos por Pronome

Quando o sujeito composto é resumido por um pronome indefinido (tudo, nada, ninguém, etc.), o verbo concorda com o pronome resumitivo.

Exemplos:

  • Professores, alunos, funcionários, ninguém sabia da mudança.
  • Amor, carinho, atenção, tudo era importante.
  • Dinheiro, poder, fama, nada o satisfazia.

Concordância com a Partícula SE

A partícula “SE” pode ter diferentes funções sintáticas, e cada uma implica uma concordância específica.

Pronome Apassivador (Voz Passiva Sintética)

Ocorre com verbos transitivos diretos (VTD) ou transitivos diretos e indiretos (VTDI). O verbo concorda com o sujeito paciente.

Como identificar: É possível transformar em voz passiva analítica (com ser + particípio).

Exemplos:

  • Vendem-se apartamentos. (= Apartamentos são vendidos)
  • Alugam-se casas. (= Casas são alugadas)
  • Consertam-se relógios. (= Relógios são consertados)
  • Discutiram-se as propostas. (= As propostas foram discutidas)

Índice de Indeterminação do Sujeito

Ocorre com verbos intransitivos (VI), transitivos indiretos (VTI) ou de ligação (VL). O verbo permanece sempre na 3ª pessoa do singular.

Como identificar: NÃO é possível transformar em voz passiva analítica.

Exemplos:

  • Precisa-se de funcionários. (VTI – não concorda com “funcionários”)
  • Trabalha-se muito aqui. (VI)
  • Acredita-se em dias melhores. (VTI)
  • É-se mais feliz na juventude. (VL)
  • Confia-se em você. (VTI)

⚠️ ERRO GRAVÍSSIMO: “Precisam-se de funcionários” está ERRADO. O verbo “precisar” é transitivo indireto (quem precisa, precisa DE algo), portanto o SE é índice de indeterminação e o verbo fica no singular.

REGRA DE OURO: Se o verbo exige preposição antes do complemento, o SE é índice de indeterminação e o verbo fica no singular. Se não exige preposição, o SE é pronome apassivador e o verbo concorda com o sujeito.

Outros Casos Especiais

Pronomes de Tratamento

Os pronomes de tratamento sempre exigem o verbo na 3ª pessoa, mesmo que se refiram à 2ª pessoa (você, o interlocutor).

Exemplos:

  • Vossa Excelência está convidado. (não: estás)
  • Vossas Senhorias compareceram à sessão.
  • Vossa Majestade foi generoso.

Expressões “Qual de nós”, “Algum de vós”, etc.

a) Pronome interrogativo/indefinido no singular: verbo na 3ª pessoa do singular.

  • Qual de nós será aprovado?
  • Algum de vós entendeu a explicação?

b) Pronome no plural: verbo pode concordar com o pronome (3ª pessoa plural) ou com “nós”/”vós”.

  • Quais de nós serão / seremos aprovados?
  • Alguns de vós entenderam / entendestes a explicação?

Sujeito Oracional

Quando o sujeito é uma oração, o verbo fica na 3ª pessoa do singular.

Exemplos:

  • É necessário que todos compareçam.
  • Convém que se faça revisão.
  • Parece que vai chover.

Concordância Nominal

Regra Geral

A concordância nominal estabelece que os artigos, adjetivos, pronomes adjetivos e numerais devem concordar em gênero (masculino/feminino) e número (singular/plural) com o substantivo a que se referem.

Exemplos:

  • O professor dedicado ensina. (masculino singular)
  • A professora dedicada ensina. (feminino singular)
  • Os professores dedicados ensinam. (masculino plural)
  • As professoras dedicadas ensinam. (feminino plural)

Adjetivo Relacionado a Mais de Um Substantivo

Adjetivo Posposto (depois dos substantivos)

a) Concordância com o mais próximo (concordância atrativa):

  • Comprei uma blusa e um vestido vermelho.
  • Estudei história e geografia brasileira.

b) Concordância com todos (masculino plural quando há substantivos de gêneros diferentes):

  • Comprei uma blusa e um vestido vermelhos.
  • Estudei história e geografia brasileiras.
  • Encontrei pai e mãe preocupados. (masculino prevalece)

Ambas as formas são corretas, mas quando o adjetivo qualifica todos os substantivos, é preferível usar o plural.

Adjetivo Anteposto (antes dos substantivos)

O adjetivo concorda com o substantivo mais próximo.

Exemplos:

  • Velhos casacos e blusas.
  • Velhas blusas e casacos.
  • Belos jardim e casa.
  • Bela casa e jardim.

Casos Especiais de Concordância Nominal

Anexo, Incluso, Obrigado, Mesmo, Próprio, Quite

Estas palavras são adjetivos e concordam com o substantivo a que se referem.

Exemplos:

ANEXO / INCLUSO:

  • Os documentos vão anexos.
  • As fotos vão anexas.
  • Seguem inclusas as certidões.
  • A procuração segue anexa.

❌ ERRO: “Segue anexo as certidões.” (INCORRETO) ✓ CORRETO: Seguem anexas as certidões.

⚠️ ATENÇÃO: A expressão “EM ANEXO” é invariável: “Seguem em anexo as certidões.”

OBRIGADO:

  • Muito obrigado! (homem falando)
  • Muito obrigada! (mulher falando)
  • Obrigados, disseram os rapazes.
  • Obrigadas, disseram as moças.

MESMO / PRÓPRIO:

  • Ela mesma fez o trabalho.
  • Eles mesmos confirmaram.
  • Eu próprio resolvi o problema.
  • Nós próprias assumimos a responsabilidade.

QUITE:

  • Estou quite com a Justiça. (eu, homem/mulher)
  • Estamos quites com a Justiça.
  • Ela está quite com as obrigações.

É proibido, É necessário, É bom, É preciso, É permitido

Estas expressões ficam invariáveis quando o substantivo não vem determinado por artigo ou pronome. Se vier determinado, a concordância é obrigatória.

Substantivo SEM artigo (ou determinante): expressão invariável.

  • É proibido entrada. (sem artigo)
  • É necessário paciência.
  • É bom cerveja gelada.
  • É permitido presença de acompanhante.

Substantivo COM artigo (ou determinante): expressão variável.

  • É proibida a entrada. (com artigo)
  • É necessária a paciência.
  • É boa a cerveja gelada.
  • É permitida a presença de acompanhante.
  • Essa entrada é proibida.

⚠️ REGRA PRÁTICA: Se o substantivo vier com artigo (a, o, as, os) ou pronome (essa, esta, minha, sua, etc.), a expressão concorda. Se o substantivo vier “solto”, sem determinante, a expressão fica invariável.

Meio / Meia

a) MEIO como advérbio (= um pouco, mais ou menos): invariável.

  • Ela está meio cansada. (= um pouco cansada)
  • Eles ficaram meio nervosos.
  • A porta estava meio aberta.

b) MEIO como numeral (= metade): variável.

  • Comprei meia dúzia de ovos.
  • São meio-dia e meia (hora).
  • Tomei meia garrafa de água.

Bastante

a) Como advérbio (= muito): invariável.

  • Eles estudaram bastante. (= muito)
  • As questões eram bastante difíceis. (= muito difíceis)

b) Como pronome indefinido/adjetivo (= muitos, suficientes): variável.

  • Havia bastantes candidatos. (= muitos candidatos)
  • Tenho bastantes motivos para reclamar.

Só / Sós

a) SÓ como advérbio (= somente, apenas): invariável.

  • estudo português. (= somente)
  • Eles estudam à noite. (= apenas)

b) SÓ como adjetivo (= sozinho): variável.

  • Ela está . (= sozinha)
  • Eles estão sós. (= sozinhos)
  • As meninas ficaram sós.

c) A SÓS: sempre invariável (locução adverbial).

  • Eles conversaram a sós.

Menos / Alerta

São sempre invariáveis.

MENOS:

  • Havia menos pessoas ontem.
  • Elas são menos dedicadas.
  • Trouxe menos documentos.

ALERTA:

  • Os soldados estão alerta. (não: alertas)
  • Fiquem alerta.

⚠️ OBSERVAÇÃO: Embora “alertas” seja aceito por alguns gramáticos modernos, em concursos públicos é mais seguro usar “alerta” como invariável.

Pseudo, Todo, Tal, Qual

Concordam com o substantivo.

Exemplos:

  • Pseudo-sábios. / Pseudo-sábia.
  • Todo homem. / Toda mulher. / Todos os alunos.
  • Tal pai, tal filho. / Tais pais, tais filhos.
  • Qual deles? / Quais delas?

Leso

Concorda com o substantivo que o acompanha (usado em “leso-algo” = prejudicado em algo).

Exemplos:

  • Crime de lesa-pátria. (feminino)
  • Crime de leso-patriotismo. (masculino)

Concordância com Números e Valores

Horas, Distâncias, Pesos, Medidas

O verbo SER concorda com o predicativo (numeral).

Exemplos:

  • É uma hora. / São duas horas.
  • É meio-dia. / São meio-dia e meia.
  • Daqui até lá é um quilômetro. / São dois quilômetros.
  • É pouco. / São poucos.
  • É muito. / São muitos.
  • Cem reais é pouco. / Cem reais são suficientes.

Dias, Datas

a) Sem artigo: verbo no singular.

  • Hoje é (dia) 15 de novembro.
  • Hoje é dia 10.

b) Com artigo no plural: verbo no plural.

  • Hoje são 15 de novembro.

Estratégias para Concursos Públicos

Checklist de Análise

Ao resolver questões de concordância, siga estes passos:

  1. Identifique o sujeito: Onde está o núcleo do sujeito?
  2. Verifique se há sujeito: O verbo é impessoal?
  3. Analise a estrutura: Sujeito simples, composto, oracional?
  4. Observe a posição: Sujeito antes ou depois do verbo?
  5. Identifique casos especiais: Coletivos, partitivos, pronomes, etc.
  6. Para concordância nominal: Qual palavra (substantivo) está sendo modificada?

Erros Mais Comuns em Provas

  1. “Fazem dois anos” → ERRO (correto: Faz dois anos)
  2. “Houveram problemas” → ERRO (correto: Houve problemas)
  3. “Haverão mudanças” → ERRO (correto: Haverá mudanças)
  4. “Devem haver soluções” → ERRO (correto: Deve haver soluções)
  5. “Precisam-se de funcionários” → ERRO (correto: Precisa-se de funcionários)
  6. “Segue anexo as certidões” → ERRO (correto: Seguem anexas as certidões)
  7. “É proibida entrada” → ERRO (correto: É proibido entrada OU É proibida a entrada)
  8. “Ela está meia nervosa” → ERRO (correto: Ela está meio nervosa)
  9. “Alugam-se casa” → ERRO (correto: Aluga-se casa OU Alugam-se casas)

Dicas Finais

✓ DICA 1: Quando houver dúvida sobre a concordância verbal, localize o sujeito sublinhando-o. Isole os termos intercalados entre parênteses mentalmente.

✓ DICA 2: Para identificar se o SE é pronome apassivador ou índice de indeterminação, tente converter para a voz passiva analítica. Se for possível, é pronome apassivador (e o verbo concorda). Se não for possível, é índice de indeterminação (e o verbo fica no singular).

✓ DICA 3: Com expressões “é proibido”, “é necessário”, etc., procure o artigo. Tem artigo? Concorda. Não tem? Fica invariável.

✓ DICA 4: Para não errar com “anexo”, lembre-se: se é “anexo”, varia; se é “em anexo”, não varia.

✓ DICA 5: Verbos HAVER (= existir), FAZER (tempo) e fenômenos naturais (sentido literal) = sempre singular, sempre impessoal.


Exercício Recomendado

Para fixar o conteúdo, recomenda-se:

  1. Fazer pelo menos 100 questões de concursos anteriores sobre o tema
  2. Anotar todos os erros e revisar a regra correspondente
  3. Criar frases de exemplo para cada regra estudada
  4. Praticar a identificação do sujeito em textos complexos
  5. Revisar semanalmente os casos especiais até a automatização

Lembre-se: A concordância é um tema que exige prática constante. Quanto mais questões você resolver, mais rápido identificará os padrões cobrados pelas bancas examinadoras.

Nenhuma questão encontrada.